São Paulo - Até outubro deste ano, mais de 260 concursos públicos haviam sido realizados no Brasil, segundo levantamento da Meta Concursos com as cinco maiores organizadoras de provas. ''É quase um concurso por dia, o que mostra que existem muitas oportunidades nesta área, que vêm ao encontro do fato de que a carreira pública têm se tornado muito mais atraente'', diz Thiago Sayão, diretor de Planejamento do Meta Concursos.
De acordo com ele, a valorização do emprego em estatais provocou uma mudança também do perfil de trabalhadores durante a última década. ''Em São Paulo não existia uma cultura de funcionalismo público forte e quem procurava este tipo de serviço eram pessoas acima dos 45 anos, que já não viam outras perspectivas de carreira ou estavam desempregadas'', diz. Agora, a proporção entre homens e mulheres que estudam para provas, segundo ele, é praticamente a mesma e 65% dos alunos do Meta têm menos de 30 anos.
O mercado de trabalho também mudou muito. Segundo Sayão, antes o emprego público pagava muito pouco e era na iniciativa privada que as pessoas viam oportunidades de crescimento salarial. Mas com o enxugamento das folhas de pagamento e a necessidade cada vez maior de resultados, a história se inverteu. ''Tem concurso que hoje só exige o nível médio completo e paga R$ 3,5 mil, o que é praticamente impossível na iniciativa privada'', diz.
José Luis Romero Baubeta, diretor de RH da Central de Concursos, também diz que a falta de oportunidades na iniciativa privada foi um dos grandes impulsos da carreira pública. ''É uma guerra conseguir emprego, pois entram fatores como currículo, indicação, idade e aparência. Já a seleção por concurso não tem preconceito e o emprego é muito estável.''
A auditora da Previdência, Esther Antonioli Martins, é uma das que se diz muito satisfeita com a escolha que fez. ''Existe a estabilidade no emprego e não me sinto ameaçada, mesmo com os anos se passando. No setor público, quanto mais velho, mais valorizado e prestigiado o funcionário se torna'', conta ela, que está na Previdência há 19 anos.
José Roberto Dias da Silva é analista do Banco Central desde 1978 e outro funcionário público que se sente satisfeito com a opção de carreira. ''As vantagens são inegáveis em termos pessoais, pois tive contato com assuntos muitos interessantes, como comércio exterior e câmbio, essenciais para o País. Sinto que minha atuação foi importante para o desenvolvimento da economia e, sem dúvida, não trocaria por outro trabalho.''
De acordo com Silva, outra vantagem é o cuidado que a empresa pública tem com a formação de seu pessoal. ''Temos verba para cursos e estudo, tive condições de me desenvolver e a empresa custeou meu mestrado.'' Além disso, outro ponto importante é que não é preciso ficar competindo com colegas. ''Existe um nivelamento de cargos e salários, e nunca senti necessidade de ser chefe, pois com o tempo fui ganhando trabalhos mais complexos e com maior exigência de análise.''

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