São Paulo - O número de indivíduos de alta renda no Brasil cresceu 6,67% no ano passado, fechando em 80 mil, eram 75 mil em 2002. A riqueza financeira dos mesmos aumentou menos, 3% - de US$ 1,7 trilhão em 2002 para US$ 1,75 trilhão, segundo o Relatório sobre a Riqueza Mundial 2004, divulgado ontem pelo Merrill Lynch e a consultoria CapGemini. A pesquisa considera indivíduos de alta renda aqueles que possuem ativos financeiros de pelo menos US$ 1 milhão, excluindo os bens imobiliários, que são considerados pouco líquidos.
O número de milionários brasileiros cresceu menos do que o total global. De acordo com a pesquisa, os indivíduos de alta renda no mundo somavam 7,7 milhões no fim de 2003, um crescimento de 7,5%. A riqueza deles cresceu 7,7%, subindo para US$ 28,8 trilhões. Os EUA lideraram o crescimento no total de milionários, que passaram para 2,27 milhões em 2003, um aumento de 14%. Na China, o crescimento foi de 12% e, na Índia, de 22%.
James Gorman, presidente do grupo de Private Client Global do Merrill Lynch, afirma em comunicado que os milionários globais souberam responder rapidamente às tendências que afetam sua capacidade de preservar e aumentar a riqueza. ''Eles se beneficiaram de um forte e sólido 'rally' do mercado acionário e do crescimento global. Os investidores ricos dos EUA, China e Índia, em particular, conseguiram capitalizar em cima dessas tendências, apesar da grande incerteza geopolítica'', acrescentou.
A Europa apresentou um aumento bem mais modesto no número de milionários: de 2,4% para 2,6 milhões e a riqueza somou US$ 8,7 trilhões. Segundo a pesquisa, as políticas restritivas de imposto de renda na Europa são uma das principais razões que explicam o crescimento menor no número de milionários na região na comparação com os EUA. As exceções foram Espanha, Rússia e República Checa, onde houve rápido crescimento no total de milionários, diz o estudo.
Na América Latina, o desempenho dos investidores de alta renda foi melhor em 2003 do que no ano anterior, mas o crescimento tanto no número de ricos quanto no total da riqueza foi relativamente baixo, apesar das altas significativas nos mercados acionários locais, opinam os autores da pesquisa. Os milionários da América Latina continuaram apresentando a mais alta riqueza média por indivíduo do que qualquer outra grande região global. No ano passado, a América Latina tinha 270 mil milionários, somando US$ 3,647 trilhões; eram 201 mil em 2002 com US$ 3,565 trilhões.

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