Brasil tem 5ª menor taxa de investimento público
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Sérgio Gobetti<br> Agência Estado 
Brasília - Estudo apresentado por economistas brasileiros em seminário internacional sobre políticas fiscais, na semana passada, mostra que o Brasil tem atualmente a quinta menor taxa de investimento público entre 44 países emergentes e desenvolvidos do mundo. O investimento de apenas 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em infra-estrutura e equipamentos contrasta com os gastos globais do setor público brasileiro, que somam 46 6% do PIB - igual à média dos países mais evoluídos, que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Assinado pelos economistas José Roberto Afonso, Geraldo Biasoto Jr. e Ana Carolina Freire, o documento foi discutido com representantes do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em um fórum da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e tenta mostrar como as baixas taxas de investimento público e as altas taxas de juros vigentes explicam o crescimento medíocre da economia brasileira nos últimos anos. Da amostra de países emergentes analisados, apenas a Turquia gasta mais em juros do que o Brasil - 21,3% do PIB ante 8,2% -, mas em compensação consegue investir 4,6% do PIB.
O caso da Turquia, entretanto, é exceção. Seus demais gastos públicos são baixos, o que faz sobrar uma parcela significativa da carga tributária para investimentos. O Brasil, ao contrário, além de ter o segundo maior gasto com juros, consome no custeio do setor público 19,5% do PIB e transfere a subsídios e programas previdenciários e assistenciais mais 17,1%
''É difícil ser bem-sucedido na implantação de uma estratégia de desenvolvimento diante de um ajuste fiscal que combina arrecadar uma carga tributária superior à média dos países ricos e gastar com investimento público muito menos do que a média das economias emergentes, tendo por trás disso tudo a enorme pressão resultante de uma política monetária concentrada apenas na aplicação de taxas de juros reais que constituem recorde mundial há muitos anos'', diz o estudo.


