Rio de Janeiro- Os microempresários já somam 22 milhões de pessoas no Brasil e apresentam rendimento e mobilidade social acima da média dos demais trabalhadores, segundo mostra pesquisa divulgada ontem pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O conceito de microempresário da pesquisa é amplo e inclui desde vendedores ambulantes e camelôs até empregadores ou profissionais liberais, como médicos e dentistas. De acordo com o estudo de Neri, a renda domiciliar per capita dos microempresários era de R$ 761 em 2007, superior à renda média per capita do total dos ocupados (R$ 526).
Ele explica que a renda desse grupo está acima da média porque inclui não apenas a renda do trabalho, mas também transferências de programas sociais, como o Bolsa Família. A pesquisa mostra também que, segundo projeções para 2008, grande parte, ou 72% dos microempresários estão nas classe A, B ou C, mas pelo menos 54% desse total estão na classe C, e somente uma pequena fatia no topo da pirâmide social.
De qualquer modo, de acordo com Neri, a mobilidade social é maior para os microempresários do que para o restante da população. Em 2003, segundo a pesquisa, 42,8% dos microempresários estavam na classe C e 22,5% estavam na classe D.
Em 2008, segundo projeções da FGV, o porcentual de microempresários na classe C tinha subido para 54% enquanto a fatia na classe D havia caído para 18,1%. A pesquisa destacou os microempresários como ponto de partida para análise do Crediamigo, programa de microcrédito do Banco do Nordeste, instituição que encomendou o desenvolvimento do estudo a Néri.
Neri disse que o Brasil tem ''amortecedores'' para a crise internacional e, entre eles, figuram com destaque o aquecimento do mercado interno e as políticas sociais. Ele afirmou que ''ainda não há sinais de que a crise chegou no mercado de trabalho no Brasil''.
Para Neri, a redução da pobreza e a ampliação da classe C - em detrimento das classes D e E - serão fatores ''muito importantes para segurar a economia brasileira''. Segundo ele, ''o mercado interno é um amortecedor da economia do País bastante importante para enfrentar a crise''.
De acordo com Neri, a classe C, que ele chama de nova classe média, que chegou a 47,1% da população total do País em 2007, será de 50% do total em 2008, segundo projeções feitas a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE.
Em 2003, a classe C equivalia a 37,6% da população. No que diz respeito à classe E, ou seja, a camada de renda mais baixa, a projeção de Neri é que caia de 18,1% da população, segundo os dados de 2007, para 15,3% segundo as projeções para 2008. Em 2003, essa fatia era de 28,0%. De acordo com o economista da FGV, outros amortecedores do País para a crise são a inflação baixa, a situação fiscal controlada e as reservas internacionais.

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