A Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, considerada a maior do mundo, começou ontem com a previsão de receber 380 mil visitantes até seu encerramento, no sábado. O número representa um aumento de quase 15% em relação ao movimento do ano passado. As visitas aos estandes no primeiro dia do evento agradaram aos expositores brasileiros, que formaram a delegação nacional mais numerosa desde o início de sua participação, em 1980. São 170 estandes nacionais neste ano. No total, cerca de 7.300 expositores de quase 70 países vieram tentar parcerias no evento.
A expectativa dos empresários brasileiros é manter a tendência de crescimento no número de contatos comerciais registrados nas edições anteriores. No ano passado, foram 2.830 negócios, gerando um volume de vendas que ultrapassou os US$ 61 milhões. Em 1996, as empresas brasileiras movimentaram US$ 57 milhões, com 2.560 contatos com fornecedores iniciados durante a feira alemã.
‘‘A feira está sendo bastante positiva. No primeiro dia (ontem), já recebemos várias consultas importantes de possíveis compradores, afirma Mario Roberto Branco, 40, gerente de comércio exterior da Abinee (associação brasileira das indústrias do setor elétrico e eletrônico), que representa cerca de 700 empresas do setor.
Ele aponta uma ‘‘tendência de internacionalização entre as indústrias nacionais, que estariam ampliando sua participação em feiras no exterior. ‘‘A concorrência não está fácil. Precisamos nos integrar mais com o mercado internacional, afirma. Não é para menos. O setor em que a Abinee montou seu estande institucional é dominado claramente por expositores asiáticos, que oferecem artigos bem mais baratos.
Segundo Branco, os empresários brasileiros precisam recorrer a ‘‘vitrines de negócios como a feira de Hannover para mudar o quadro desfavorável no comércio exterior brasileiro. O setor registrou US$ 12,2 bilhões em importações no ano passado, enquanto as exportações foram pouco mais de US$ 3,1 bilhões.
Os países asiáticos, aliados aos do Leste Europeu, também são preocupação para as empresas brasileiras da área de fundição. ‘‘A quantidade de empresas brasileiras que trabalham com exportação tem aumentado com as feiras internacionais. Mas o crescimento ainda está aquém do que poderíamos, afirma Ricardo Pugliese, 45, diretor da área de comércio internacional da Abifa (associação brasileira das indústrias do setor de fundição), que há sete anos organiza a participação de empresas nacionais no evento.
Segundo ele, há um grande número de contatos comerciais iniciados na feira com indústrias estrangeiras que planejam se instalar no Brasil e buscam fornecedores na Feira Industrial de Hannover.
(*) O jornalista Cleber Martins viaja a convite do Sebrae-SP, Lufthansa, Varig e Hannover Fairs.

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