Brasil também é vulnerável, admite Malan
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Agências Folha e Estado Rio de Janeiro 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o Brasil não tem uma total imunidade a todo e qualquer tipo de turbulência. A afirmação foi a propósito dos riscos do real sofrer um ataque especulativo nos moldes enfrentados por países asiáticos, como Tailândia e Indonésia. Apesar do alerta, Malan disse que a percepção da comunidade financeira que saiu da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), em Hong Kong, em setembro, foi que existem diferenças específicas entre a economia brasileira e as daqueles países que afastam o risco de uma reedição do ataque por aqui.
As afirmações do ministro foram feitas durante palestra na ESG (Escola Superior de Guerra), no Rio de Janeiro. Ele descartou a possibilidade de mudança na política cambial. Após traçar um quadro que diferencia o Brasil dos países asiáticos, Malan fez o alerta: Somos forçados a reconhecer que vivemos no mesmo mundo, pequeno nessa área, integrado, com uma enorme velocidade de ajuste, um enorme volume de recursos, e que, portanto, existem implicações potenciais, sim.
Segundo Malan, o risco é tanto maior quanto o País seja incapaz de mostrar ao resto do mundo que está sendo capaz de equacionar os problemas e que tem um propósito de resolvê-los com resultados. E nós temos resultados, afirmou. Os resultados, segundo Malan, estão no controle da inflação, em quatro anos seguidos de crescimento, nos esforços para reduzir o déficit público e para aprovar as reformas necessárias ao aprofundamento da estabilidade.
Na palestra, Malan procurou mostrar os avanços obtidos pela economia do País desde o início do Plano Real e o que ainda falta fazer para consolidar a estabilidade e melhorar a distribuição da riqueza. Ao falar sobre a situação do setor externo, Malan destacou que a principal diferença entre a economia brasileira e as dos países que sofreram recentes ataques especulativos - México (1994) e Tailândia - está nos números do déficit em conta corrente (diferença entre entradas e saídas de dinheiro).
Ele disse que no último número do déficit brasileiro (agosto/97), ele estava em 4,2% do PIB (Produto Interno Bruto), e que esse número era de 2,5% em 95 e de 3,3% em 96. O PIB é a soma das riquezas produzidas pelo país. No México, segundo ele, o déficit estava próximo de 8% quando ocorreu oataque especulativo. Na Tailândia, o déficit teria sido de 5% a 6% no período 92/94 e superior a 8% em 95 e 96.
Além disso, segundo Malan, o Brasil está financiando mais de 50% do seu déficit com investimentos externos diretos que devem chegar este ano a cerca de US$ 16 bilhões.
Próximas vítimas A América do Sul pode ser a próxima vítima de ataques especulativos em seus sistemas cambiais indexados ao dólar, segundo analistas europeus. A Argentina, lembram, é um dos últimos países a praticar essa política de indexação. Mas o Brasil também tem sido citado junto com cinco outros candidatos a ataques especulativos, como o Japão, China, Taiwan e Malasia. Segundo o expert do grupo FP Conseil, Jean Patrick Dubrun, o déficit em conta corrente do Brasil próximo dos 4,5% do PIB nunca foi tão elevado quanto os 7% e 8% no México em 94 ou da Tailandia em 95, mas permanece excessivo. Daí a impressão de uma grande fragilidade da moeda brasileira.


