Curitiba O Brasil suspendeu a importação de carne maturada e desossada do Paraguai. A decisão foi tomada em função de um foco de febre aftosa ocorrido na região paraguaia de Pozo Fondo, onde fica uma colônia indígena, a 450 quilômetros da fronteira com o Mato Grosso do Sul. Em setembro de 2002, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento já havia proibido a entrada de animais vivos, produtos e subprodutos pela mesma razão, mas gradativamente estava reabrindo as fronteiras para alguns itens. A informação sobre o surto chegou ao ministério por meio de um documento enviado na segunda-feira pela embaixada paraguaia.
Ontem o assunto foi discutido pelo ministros da Agricultura dos dois países em Brasilia. Roberto Rodrigues reuniu-se com Dario Baumgarten, do Paraguai, para tratar de um plano de combate à febre aftosa. Em março, durante feira agropecuária, o governo federal doou um milhão de doses de vacina contra a aftosa ao governo do Paraguai. Desse total, já foram utilizadas 500 mil doses, principalmente na campanha de vacinação que terminou ontem, informou o ministro.
''Estamos mobilizando todo o sistema de vigilância nas fronteiras. As fiscalizações vão ser ainda mais rigorosas e também usaremos unidades móveis para evitar que alguma carga ilegal entre por algum caminho alternativo'', afirmou o responsável pelo Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Felisberto Queiroz Baptista. De acordo com dados do Defis, o Paraná terminou, recentemente, uma campanha de vacinação contra febre aftosa que atingiu 98,66% do rebanho paranaense. Isso, segundo Baptista, afasta a possibilidade de o problema chegar ao Paraná.
Segundo informações enviadas ontem pelo governo paraguaio ao Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, a existência do foco de febre aftosa na região de Pozo Fondo foi detectada no dia 30 junho. Porém, só foi comunicada ao governo daquele país uma semana depois, e, ao Brasil, no dia 14. Baptista diz que foram encontrados dois tipos diferentes de vírus no gado, o que sugeria que o surto já ocorria há algum tempo.
O Brasil importou, no primeiro semestre deste ano, 21,5 mil toneladas de carne do Paraguai através das fronteiras do Paraná e Mato Grosso do Sul. O dado é das regionais do ministério dos dois estados. Segundo o Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne), essa proibição não afeta em nada o mercado de carnes do Estado. ''Nenhum frigorífico do Estado importava carne do Paraguai. E o Sindicarne não tem conhecimento de nenhum outro estabelecimento que importasse carne de lá. Além disso, nesse setor o Brasil é auto-suficiente'', esclarece o economista do Sindicarne, Gustavo Fanaya. No Mato Grosso do Sul, apenas um frigorífico de Ponta Porã, cidade que faz fronteira com o Paraguai, comprava carne paraguaia.

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