Brasília As exportações do complexo soja devem somar US$ 8 bilhões neste ano, US$ 2 bilhões acima do resultado de 2002. O número confirma o Brasil como maior exportador mundial da oleaginosa, ultrapassando os Estados Unidos. De acordo com o chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, os americanos devem exportar US$ 7,2 bilhões em soja e derivados neste ano.
''Sem dúvida, esse bom resultado assusta os americanos'', afirmou Beraldo, alertando para uma possível ''guerra'' contra o produto brasileiro. Nessa linha, ele lembrou reportagem do jornal norte-americano The New York Times acusando os produtores do Mato Grosso de devastarem a Floresta Amazônica. Para Beraldo, os americanos terão de se preocupar muito com o Brasil. ''Já somos os maiores exportadores de soja e seremos, em cinco anos, os maiores produtores'', afirmou.
Na safra 2002/03, o Brasil produziu 52 milhões de toneladas de soja. A produção americana é estimada em 78 milhões de toneladas. As previsões mais otimistas indicam colheita de 58 milhões de toneladas no Brasil na safra 2003/04. O complexo soja representará 12% das exportações totais em 2003. Para este ano, as exportações totais do Brasil devem somar US$ 67 bilhões.
No acumulado entre janeiro e agosto, as exportações do complexo soja cresceram 73,66%, somando US$ 5,43 bilhões, cerca de US$ 2 bilhões acima do registrado em igual período de 2002. ''A safra recorde de 52 milhões de toneladas, o câmbio favorável e a elevação dos preços mundiais, baseado na maior demanda, impulsionaram as vendas externas'', afirmou Beraldo.
A CNA estimou a demanda mundial por soja em 174 milhões de toneladas, sete milhões de toneladas acima do consumo em 2002. Beraldo acrescentou que os preços da soja em grão cresceram 18% este ano. E os valores do óleo subiram 33,6% neste mesmo período.
As exportações de produtos agrícolas devem somar US$ 27 bilhões em 2003, ante importações de US$ 4 bilhões, o que resultará num superávit comercial de US$ 23 bilhões. De janeiro a agosto, o saldo comercial da balança comercial do agronegócio é de US$ 16,15 bilhões, resultado 38,4% superior aos US$ 11,67 bilhões de igual período de 2002.
As receitas de exportação cresceram 31,2% nos oito primeiros meses do ano, totalizando US$ 19,25 bilhões.
De janeiro a agosto, as importações do agronegócio somaram US$ 3,1 bilhões, ante US$ 3 bilhões em igual período de 2002. No período, as importações totais do Brasil somaram US$ 30,378 bilhões, ante US$ 31,660 bilhões no acumulado entre janeiro e agosto de 2002.

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