A Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Canadá a aplicar sanções tarifárias contra o Brasil no valor de US$ 1,4 bilhão. A decisão foi tomada em uma tensa reunião, ontem, em Genebra.
Durante o encontro, Stuart Harbinson, presidente da
sessão, chegou a pedir, indiretamente, que o embaixador do Canadá se acalmasse. O valor da retaliação foi calculado com base nos subsídios dados pelo governo brasileiro às exportações de aviões da Embraer. Isso teria gerado prejuízo para a empresa Bombardier no mercado internacional.
‘‘A retaliação nunca será nossa primeira opção, mas já tivemos muita paciência com o Brasil e, por cinco vezes, a OMC determinou que o Programa de Financiamento de Exportações (Proex) era ilegal’’, afirmou o embaixador canadense em Genebra, Sergio Marchi, ao sair da reunião.
O problema é que Ottawa não aceita a reforma do Proex realizada pelo País. ‘‘Não vamos além das mudanças que fizemos’’ afirmou o embaixador brasileiro Celso Amorim. Ele insiste que o Proex é compatível com as regras da OMC.
Celso Amorim classificou como ‘‘injusta’’ a retaliação. ‘‘Trata-se da tentativa de um país desenvolvido, que possuía o monopólio do mercado de aeronaves, de sufocar uma empresa de um país em desenvolvimento, que se atreveu a tentar entrar no mercado’’, afirmou o embaixador.
Diante da posição do Brasil, o representante do Canadá afirmou que os argumentos usados por Amorim ‘‘são bobos (silly)’’, causando mal-estar entre os diplomatas. ‘‘Se o Brasil quiser fazer parte da primeira divisão terá que aceitar as regras do jogo’’, completou.
A resposta do embaixador brasileiro foi de que ‘‘as
regras do jogo foram feitas pelos países da OCDE para atender a seus interesses específicos e de forma a proteger as práticas de financiamento à exportação utilizadas por eles. Essa é, evidentemente, uma situação injusta e desequilibrada que deve ser corrigida na OMC’’.
Ao sair da sessão, Marchi, que nasceu na Argentina, continuou a atacar o Brasil. ‘‘Se o País tem aeronaves melhores e mais baratas, como alega, agora será a hora de provar isso’’, disse. Segundo ele, a Embraer recebeu quase US$ 35 milhões para as exportações de 13 aviões. ‘‘Sem essa ajuda, aí sim veremos quem tem o melhor avião’’, disse.
O Canadá terá que divulgar as retaliações no diário oficial do país, mostrando quais produtos brasileiros sofrerão as sanções. Além disso, o embaixador canadense afirmou que Ottawa irá convocar os setores produtivos interessados em manifestar suas opiniões sobre as retaliações. Nos últimos meses, porém, tem crescido a preocupação dos empresários canadenses de que a retaliação comprometa os interesses do próprio país, pois representaria a interrupção do comércio por três anos.
Amorim afirmou que espera que os canadenses não usem de seu direito de retaliar e busquem uma solução pacífica. ‘‘Espero que saibam valorizar a relação que tem com o Brasil, já que somos parceiros em vários projetos’’, completou.
Ao deixar a OMC, o embaixador canadense foi categórico: ‘‘o Brasil tem que ser um perdedor honrado’’.

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