Bruxelas - Apesar da falta de um acordo de preferências tarifárias, o Brasil passa a fazer parte da lista dos dez maiores parceiros comerciais da União Européia (UE). Dados de Bruxelas publicados ontem revelam que as exportações brasileiras aos 27 países do bloco aumentaram em 17% nos quatro primeiros meses do ano, taxa superada apenas pelos chineses.
Segundo os dados, o Brasil exportou 9,9 bilhões de euros entre janeiro e abril, colocando-se na 9 posição entre os principais fornecedores ao mercado europeu. No ano passado, o País havia terminado como 12 e, entre janeiro e abril de 2006, as vendas haviam sido de 8,5 bilhões de euros.
O Brasil também se tornou o 10º maior destino dos produtos europeus, com 6,2 bilhões de euros, contra 5,6 bilhões de euros nos quatro primeiros meses de 2006. O mercado brasileiro, portando, foi expandido em 11%, a 5 maior taxa e bem acima da média das exportações européias no mundo, de 4%. Os russos lideram como tendo o maior crescimento nas importações, com 29%, contra 18% na Índia. O resultado, portanto, é um aumento do superávit comercial a favor do Brasil. A balança atinge 3,7 bilhões de euros, contra 2,8 bilhões de euros no ano passado.
A manutenção da expansão das exportações agrícolas, como frango e carne bovina, podem explicar parte desse crescimento. Apesar do embargo à carne em decorrência de focos de febre aftosa nos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, as vendas continuam crescendo. Só as exportações chinesas aumentaram mais que as do Brasil nesse ano. As vendas de Pequim tiveram um incremento de 23% e chegaram a 71 bilhões de euros. Em valores, a China já é maior fornecedor ao mercado europeu, superando os Estados Unidos, com 61 bilhões de euros.
No geral, a Europa somou exportações de 455 bilhões de euros em quatro meses, mas acumulou um déficit de 67 bilhões de euros nesse mesmo período. O valor é um pouco menor aos 72,6 bilhões em déficit no primeiro quadrimestre de 2006. Parte da redução ocorreu por causa da queda no déficit energético. Os europeus acumularam um déficit de 81,7 bilhões de euros entre janeiro e abril no setor energético, contra um saldo negativo de 95 bilhões no mesmo período de 2006. O que não pára de crescer é o déficit com a China, que até abril já chegava a 50 bilhões de euros, contra 38 bilhões de euros no mesmo período de 2006.
Já com os americanos os europeus tem uma balança favorável. Dentro da UE, os resultados não são iguais para todos os 27 membros. Os alemães acumularam um superávit de 63 bilhões de euros neste ano, contra um déficit de 43 bilhões de euros do Reino Unido, 29,4 bilhões de euros da Espanha e 11 bilhões de euros da Franca.

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