A China dificilmente deixará de importar soja dos Estados Unidos, principalmente agora que faz parte da Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, não pode prescindir do produto norte-americano.
No entanto, a China, por outro lado, promete não ‘‘afrouxar’’ a legislação que restringe produtos geneticamente modificados. Na verdade, a China, em nenhum momento vai suspender contratos ou impedir descargas de navio. Mas a China pode, por exemplo, aumentar sua parceria com o Brasil para não depender apenas do produto norte-americano, sob permanente análise, antes mesmo do desembarque.
As novas regras sobre certificação de alimentos importados na China não prevêem suspensão de produtos norte-americanos, mas exige informações e avaliações desses alimentos. Os técnicos chineses vão checar essas informações e fazer rastreamento. Isso demandará algum tempo, na opinião de analistas. É nesse ponto que o Brasil pode ‘‘vender sue peixe’’, dizem os analistas de mercado.
Um fator atenuante é a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à China, em fevereiro próximo. A Associação Norte-americana de Soja e a Associação dos Operadores da Bolsa de Chicag têm certeza de que este assunto estará em pauta e estão apostando numa flexibilização das exigências.
Para se ter idéia das implicações da nova legislação - que trata da rotulagem e classificação de grãos - os importadores chineses estão retraídos desde o anúncio de que a legislação foi aprovada e deve entrar em vigor em breve. Os analistas de mercado estão prevendo certa retração no mercado de bolsa aos primeiros sinais de impasse entre os dois países na comercialização da soja.
As cooperativas do Paraná concordam que o esfriamento das compras dos Estados Unidos pode indicar a ampliação de nossas vendas para a China. Mas acham que devem aguardar uma definição mais clara desse quadro. Dependendo do acordo que fizer com os Estados Unidos em outras áreas das relações comerciais, a China pode até alterar sua legislação; ou abrir mão de alguns itens.

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