O estrategista para América Latina do Deutsche Bank, Renato Grandmont, disse ontem que o pacote para a Argentina vai retirar a pressão de curto prazo para o financiamento das contas do governo.
‘‘O número final do pacote ficou um pouco mais alto do que o esperado, mas o que surpreendeu mais foi a contribuição de US$ 10 bilhões dos bancos locais’’, afirmou o analista do Deutsche Bank.
Para Grandmont, o mercado deverá reagir positivamente ao anúincio do pacote. ‘‘Mas a nossa maior recomendação neste momento é comprar Brasil, que será o maior beneficiado com o anúncio deste pacote’’, disse.
Na opinião do analista, apesar do valor de US$ 39,7 bilhões do pacote, as preocupações com o crescimento econômico da Argentina continuam. ‘‘O pacote não afasta o problema do crescimento.
A Argentina precisa crescer a um nível mais alto do que o estimado pelo governo argentino para estabilizar a relação dívida/PIB’’, afirmou. O Deutsche estima um crescimento do PIB argentino em 2001 de 2,5%, em linha com as projeções do governo.
Segundo Grandmont, um dos efeitos da contribuição de US$ 10 bilhões dos bancos locais será um ‘‘credit crunch’’ (aperto no crédito) pelo setor privado. ‘‘Os bancos terão menos recursos para emprestar para o setor privado’’, disse.

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