Brasil será líder agrícola mundial em 12 anos, diz ONU
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra Projeções feitas pela Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que o Brasil tem o potencial de se tornar o maior produtor agrícola mundial nos próximos 12 anos. A avaliação faz parte do relatório anual de commodities, preparado pela Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Comércio (Unctad) e lançado ontem em Genebra (Suíça).
''As oportunidade estão dadas: o País conta com nada menos do que 90 milhões de hectares de terras potencialmente aráveis, virgens e que poderiam ser usadas sem que se tenha de cortar uma só árvore'', afirma o documento de cerca de 330 páginas e que se baseia em dados de 2001 e 2002.
A Unctad aponta que, nos últimos anos, o País conseguiu tirar vantagens de situações adversas em outras regiões, aumentou sua própria capacidade produtiva e já ameaça a liderança dos norte-americanos em vários setores, como o de carnes e soja.
Washington se mantém ainda como o maior produtor mundial no setor agrícola, mas a ONU adverte que o''boom'' produtivo dos Estados Unidos nos anos 90 começou a ser revertido já no final da década passada. Dois motivos contribuíram para a nova situação: a crise financeira asiática e a emergência de novos competidores em alguns setores-chaves, como o Brasil na soja.
Em 1996, por exemplo, o Brasil produzia 27 milhões de toneladas de soja, menos da metade que os Estados Unidos. Além disso, exportava apenas um terço do volume que Washington destinava ao mercado mundial.
Em 2001, segundo a ONU, a produção brasileira continuou sendo 50% menor que a dos Estados Unidos, mas as exportações nacionais já começam a incomodar. Em seis anos, a exportação dos Estados Unidos passou de 24 milhões de toneladas de soja para 28 milhões de toneladas, enquanto as vendas do Brasil passaram de 8 milhões de toneladas para 16,5 milhões.
A Unctad lembra que tudo isso vem ocorrendo em um cenário de subsídios nos Estados Unidos, que permite que os produtores americanos recebam 35% a mais que os brasileiros pelo mesmo volume de soja produzido.
Carnes Outro destaque na produção brasileira é a pecuária. O documento aponta que o País tem chances de ser um ''gigante'' no mercado mundial diante de suas ''vantagens naturais imbatíveis''. No setor de carnes bovinas, a ONU destaca que ''a tradicional competição entre Estados Unidos e Europa foi abalada pela chegada de novos atores originários da América do Sul, em particular o Brasil'', com produção de 6,7 milhões de toneladas em 2001.
No setor de frangos, a perspectiva é ainda mais positiva para o País. Com a desvalorização do real, a abundância de mão-de-obra e de terra, o Brasil conseguiu aumentar suas vendas em 30% apenas em 2001 e se tornou o produtor mais competitivo do mundo. ''A dominação americana nos mercados mundiais está sendo ameaçada pelos preços hipercompetititvos do frango do Brasil'', afirma o estudo, que aponta que o País ultrapassou a Europa e é segundo maior exportador do produto, já encostando nos Estados Unidos. Apesar das tarifas de importação, o Brasil vende frangos no mercado europeu a preços inferiores aos que são praticados por produtores locais.
A lista de produtos em que o País mostra competitividade não pára por ai. No açúcar, o documento aponta o Brasil como o ''novo Eldorado'', atraindo empresas internacionais como a Beghin Say e Union SDA. Segundo a Unctad, em 2002/2003, a produção poderia chegar a 21,7 milhões de toneladas no País.
No que se refere ao suco de laranja, Brasil e Estados Unidos ''monopolizam o mercado mundial'', segundo a Unctad. No setor de fumo, o País é terceiro maior produtor mundial e o primeiro exportador. A produção brasileira de leite também é a quinta maior do mundo, com um total de 23,3 milhões de toneladas em 2001. A produção de milho no Brasil é a quarta maior do mundo, com 36,5 milhões de toneladas em 2001 e 2002. Os líderes são os Estados Unidos, com 241 milhões de toneladas produzidas por ano.
Os números que impressionam a ONU não deixam de gerar preocupação entre os atuais líderes mundiais. ''Não é por nada que os Estados Unidos e outros grandes produtores estão preocupados em abrirem seus mercados aos produtos brasileiros'', completou um dos autores do relatório.


