Brasil será concorrente dos EUA em algodão, prevê trading
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sábado, 07 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O Brasil tem potencial para se tornar o maior concorrente dos Estados Unidos no mercado internacional de algodão. A previsão é dos próprios americanos. Numa palestra promovida em janeiro a produtores dos EUA, a trading Dunavant Enterprises Inc. alertou: ''O Brasil será um grande player das exportações no futuro.''
A Dunavant - de Memphis - é uma das maiores tradings de algodão do mundo, responsável pela venda de 4 milhões de fardos por ano, com escritórios em vários países, inclusive no Brasil. Os Estados Unidos lideram as exportações mundiais da fibra, mas pouco a pouco estão perdendo fatias cada vez maiores do mercado.
Segundo os números apresentados pela Dunavant, o consumo interno americano despencou 45% nos últimos seis anos, baixando para 6,2 milhões de fardos. Esse declínio deve continuar a uma taxa de 3,5% por ano, até atingir 5 milhões de fardos em 2010, uma previsão que a trading acredita ser conservadora.
Na mercado internacional, os EUA detêm hoje 41% das exportações mundiais, mas terão apenas 31% do mercado em 2010. Suas vendas deverão cair de 13,4 milhões (safra 2003/04) para 11,35 milhões de fardos. Enquanto isso, o Brasil vai aumentar sua participação dos atuais 4,5% para algo entre 14% e 16,5%, no mesmo período. E aqui também a Dunavant diz que a estimativa é conservadora. A trading estima que, entre as safras 2003/04 e 2010/11, a produção brasileira vai saltar de 5,2 milhões para 9,5 milhões de fardos. O consumo interno passará de 3,6 milhões para 5 milhões e as exportações, de 1,45 milhão para 5 milhões a 6 milhões de fardos.
Para a Dunavant, nenhum outro exportador terá um incremento tão grande nas vendas quanto o Brasil. ''Agricultura no Brasil não é mais uma questão cultural, é uma questão de negócio'', comenta a trading. ''As práticas dos produtores brasileiros são similares às dos americanos, assim como o tipo de gerenciamento, modelos de produção, pesquisa, colheita.''
O custo de produção no Brasil é outro ponto para o qual a trading chamou a atenção dos americanos: 35 centavos de dólar por libra-peso, um número considerado surpreendente. Na Austrália, por exemplo, o custo chega a quase 60 centavos de dólar.


