Nova York - A atividade econômica do Brasil se contraiu em ritmo mais profundo que o esperado por conta da contínua queda da confiança de empresários e consumidores, em meio à piora do ambiente político, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um documento para a reunião do G-20, o grupo dos países mais ricos do mundo, que acontece hoje e amanhã na Turquia, chamado "Perspectivas Globais e Desafios de Política Econômica".
O necessário ajuste fiscal e monetário conduzido pela equipe econômica de Dilma Rousseff em meio aos baixos níveis de confiança dos agentes deve seguir enfraquecendo a demanda doméstica, afetando o investimento, que tem declinado de forma rápida, ressalta o documento.
O FMI chama atenção para o fato de que a manutenção da queda do preço das commodities no mercado internacional, provocada pela moderação do ritmo de crescimento da China, também está afetando o Brasil e outros países da América Latina. A região pode ter o quinto ano consecutivo de crescimento decepcionante.
Com a economia brasileira pressionada, tanto pelo cenário externo mais adverso, como pelo ambiente doméstico mais complicado, sobretudo em Brasília, o FMI destaca no relatório que o real sofre forte desvalorização. Entre julho e agosto, foi a terceira moeda que mais perdeu valor, atrás das divisas da Rússia e da Turquia.
Uma das receitas para o Brasil voltar a crescer recomendadas no documento do FMI é que o governo de Dilma Rousseff tome medidas para melhorar o ambiente de negócios, incluindo reformas estruturais, o que ajudaria a recuperar a confiança dos agentes na economia. O FMI volta a sugerir que o Brasil faça reformas, como na educação e no mercado de trabalho, para aumentar a competitividade e a produtividade.
O FMI deve atualizar as projeções para a economia mundial em outubro, quando faz sua reunião anual, que desta vez será em Lima (Peru). No dia 6 de outubro serão divulgadas as novas estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial e de diversos países. Nos últimos números divulgados pelo FMI sobre o Brasil, em julho, a previsão era de que o PIB brasileiro fosse recuar 1,5% este ano e ter expansão de 0,7% em 2016.

Crescimento

Os riscos de curto prazo para a piora do crescimento da economia mundial aumentaram nas últimas semanas, sobretudo para os países emergentes, afirma o FMI. O principal risco é a desaceleração da China, que tem forte capacidade de contágio na economia mundial, podendo reduzir o comércio internacional e provocar queda adicional dos preços das commodities, ressalta o documento divulgado ontem. Outro risco é uma valorização adicional do dólar em meio ao processo de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). A divisa mais cara aumenta as preocupações com os passivos em moeda estrangeira das empresas dos países emergentes, que cresceram significativamente nos últimos anos, alerta o FMI. Captar recursos pelas companhias pode ficar mais difícil.
O FMI cita ainda, entre os riscos que rodam a economia mundial, a possibilidade de turbulência forte nos mercados financeiros, mudanças bruscas em preços de ativos e queda dos fluxos de capital internacional alimentados por preocupações com a China e com os juros nos Estados Unidos.
A redução do ritmo de crescimento da China, embora amplamente esperada, parece estar tendo consequências internacionais mais severas que o antecipado, afirma o documento do Fundo. "A volatilidade no mercado financeiro mundial aumentou acentuadamente desde meados de agosto."
O crescimento da economia mundial permanece "moderado", um reflexo da piora da atividade nos mercados emergentes em 2015 e uma recuperação mais fraca nos países avançados, avaliam os economistas do FMI.
A previsão é que o PIB dos emergentes desacelere este ano comparado ao de 2014 e tenha alguma recuperação em 2016. Já os países avançados devem apresentar uma "modesta" melhora a partir do segundo semestre, quando os EUA devem engatar ritmo mais forte de expansão, bem como no ano que vem.

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