'Brasil saiu da UTI', diz Malan
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Brasília Em depoimento ontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado o último que fez como membro do atual governo , o ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou que ''a economia brasileira não está mais na UTI''. ''Essa fase foi superada'', disse ele, em referência à expressão utilizada pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, ao anunciar um médico Antônio Palocci como futuro ministro da Fazenda.
Apesar de atestar a recuperação da saúde da economia, Malan confimou aos senadores que o governo pretende sacar ainda este mês a parcela de US$ 3 bilhões a que tem direito por conta do acordo em vigor com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ''Não tem nada de mau em deixar mais US$ 3 bilhões em reservas para o próximo governo'', disse o ministro, justificando a decisão.
Segundo Malan, contribuiu para que o Brasil deixasse a UTI a resposta da economia à crise, a ação do governo, a capacidade do País se situar no contexto internacional, e, também, a atitude dos políticos que disputaram as eleições, sobretudo dos vencedores. ''Temos todas as condições de restabelecer a normalidade a partir do primeiro ano do próximo governo, se as políticas forem coerentes e consistentes, como tudo indica, até agora, podem vir a ser'', disse.
Dos US$ 30 bilhões colocados à disposição do Brasil pelo FMI em agosto, o governo já recebeu US$ 3 bilhões. Para que possa sacar a nova parcela, é preciso apenas que a diretoria do Fundo aprove os termos da revisão do acordo feita pela equipe que esteve no País em novembro, o que é esperado ainda para esta semana. Segundo o ministro, a assinatura do acordo representou uma enorme contribuição para assegurar a governabilidade da próxima administração.
Superávit Ao avaliar a conjuntura do País, Malan disse que ''o pior já passou'' e afirmou que o ajuste em andamento nas contas externas tem base sólida e é sustentado no aumento da produtividade da economia. Com o superávit da balança comercial alcançando US$ 11,98 bilhões até o último dia 15, o déficit em conta corrente (que engloba também a conta de serviços, incluindo os juros da dívida externa) deve terminar este ano entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões. Esse valor corresponde a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 5% em 1998. ''Esse ajuste veio para ficar, está em curso há anos, e não é decorrente apenas da taxa de câmbio e de um crescimento aquém da possibilidade do Brasil.''


