Brasil sai fortalecido da crise mundial
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sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O mundo está em pânico. Há dez dias as bolsas de valores de todo o mundo amargam quedas sistemáticas levadas pela crise imobiliária dos Estados Unidos. Os investidores, com temor de mais perdas, estão retirando o dinheiro do mercado. A crise respingou no Brasil mas é passageira, na avaliação do consultor Stephen Kanitz, árbitro da Bovespa e mestre em Administração de Empresas pela Harvard University. Segundo ele, a Bovespa deve voltar a subir já nos próximos dias. Nesta semana ele esteve em Londrina para falar sobre o assunto.
''Temos liquidez e temos brasileiros que acreditam no Brasil, tanto que o volume negociado na Bovespa é alto. Isso é uma boa notícia. Temos que ficar com medo quando a bolsa cai e não tem liquidez. Como o volume negociado continua alto, indica que os brasileiros estão confiantes'', avaliou Kanitz. A ''imunidade'' do País vem das reservas internacionais que, no início da crise, estavam na casa dos US$ 160 bilhões. ''Se perdermos US$ 20 bilhões neste período ainda ficaremos muito bem. Até o início do governo Lula não tínhamos tantas reservas e seríamos muito afetados'', explicou.
Na sua avaliação foi correta a postura do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de privilegiar as reservas internacionais em detrimento de investimentos no País. ''A crise vai mostrar que a idéia dele (Meirelles) estava certa, mostra que ele foi inteligente ao não baixar demais os juros porque os juros altos, agora, também vão manter boa parte deste dinheiro aqui no Brasil'', comentou Kanitz. Além da liquidez, o Brasil estaria apresentando índices sólidos de crescimento, inclusive, com a retomada da agricultura. ''A Bovespa vai voltar a subir'', afirmou.
Origem - Para evitar uma nova crise mundial, Kanitz sugere um aumento da capacidade de empréstimos dos bancos. ''Essa crise tem origem em 1929 porque naquele momento foi dada uma solução errada para resolver o problema e os reflexos estamos sentindo 80 anos depois'', analisou. Na sua avaliação, o problema foi determinar como limite de empréstimo bancário que as instituições emprestem dez vezes o seu patrimônio corroído pela inflação americana. A sua tese é a de que os bancos possam emprestar dez vezes o seu patrimônio corrigido pela inflação.
Os efeitos desta medida é que a longo prazo os bancos perderam a capacidade de emprestar dinheiro, especialmente, para empresas. Esse espaço, então, foi ocupado pelas empresas independentes de investimentos e pelos fundos de pensão. ''A função de emprestar dos bancos foi reduzida, os analistas de crédito perderam seus empregos e, a partir daí, entraram os jovens destas empresas independentes. O que estamos vendo agora é um pouquinho o fato desta juventude inexperiente com muito dinheiro, emprestando de forma boba. Agora vamos pagar o preço'', observou o consultor.
Ele disse que muitos economistas são contrários a essa proposta e que essa posição, inclusive, impede o crescimento do País. ''Depois do Plano Real destruímos a capacidade de empréstimos do sistema bancário'', afirmou.


