Brasil rompe negociações com Argentina
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quinta-feira, 05 de julho de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo brasileiro suspendeu ontem as negociações econômicas com a Argentina. A decisão foi tomada pelos ministérios da Fazenda, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento como reação à recente iniciativa argentina de alterar o conteúdo de um acordo fechado entre os dois países medida que gerou restrições às exportações brasileiras de bens de informática e de telecomunicações, de bens de capital e de veículos. Em nota oficial emitida ontem, o Brasil indica que, se não houver recuo com urgência do governo argentino, serão aplicadas retaliações comerciais.
Com a decisão brasileira, ficam paralisadas negociações de interesse particular da Argentina. Entre elas, a discussão que seria iniciada hoje em Buenos Aires, sobre a nova proposta para o regime automotivo do Mercosul. Da mesma forma, acabaram suspensas as conversas sobre a revisão da Tarifa Externa Comum (TEC), principalmente para itens de informática e de telecomunicações, que teriam andamento ao longo deste semestre.
Suspendemos as conversas bilaterais sobre os pontos de atrito, declarou o ministro-interino das Relações Exteriores, Luiz Felipe de Seixas Corrêa. Uma medida como essa compromete a essência do Mercosul. Então, não há mais união aduaneira nenhuma. Se é assim, não há comércio também.
O último parágrafo da nota oficial reitera, de forma velada, o tom da ameaça brasileira. O texto recorda que a Argentina obteve superávits no comércio bilateral de US$ 611 milhões, em 2000, e de US$ 500 milhões, somente no primeiro semestre deste ano. Desde 1995, o Brasil vem garantindo preferência para a importação de petróleo, de trigo e de automóveis provenientes do país vizinho, independentemente do processo de consolidação do livre comércio no Mercosul.
No início da tarde de ontem, Seixas Corrêa chamou a seu gabinete o encarregado de negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, ministro Marcos Breton, para apresentar a reação brasileira à adoção da Resolução 258/01 pelo Ministério da Economia, publicada segunda-feira. Formalidade diplomática, a iniciativa teve também o objetivo de deixar claro que o conteúdo da nota não se restringe à posição do Itamaraty, mas trata-se de um consenso de governo.


