São Paulo - A economia brasileira cresceu 1,9% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma que o Brasil saiu da recessão técnica. O PIB é a produção de bens e serviços no País. Em relação ao segundo trimestre de 2008, no entanto, a produção brasileira teve queda de 1,2%. No primeiro semestre de 2009, a queda foi de 1,5% ante o mesmo período de 2008.
Por setores, o PIB da indústria apresentou expansão de 2,1% no período entre abril e junho de 2009 em relação ao trimestre anterior. Na mesma base de comparação, o da agropecuária registrou queda de 0,1% e o do setor de serviços teve expansão de 1,2%.
A expansão do PIB no segundo trimestre deste ano mostra que o País deixou o período de recessão técnica, quadro que se estabeleceu com a queda de 1,0% (revisado) do PIB no primeiro trimestre após já ter amargado uma retração de 3,4% (revisado) no período de outubro a dezembro de 2008. Estatisticamente, configura-se um quadro de recessão técnica em uma economia quando ela apresenta variação negativa por dois trimestres consecutivos.
No que se refere à comparação com o mesmo período do ano passado, a queda do valor agregado de bens e serviços, de acordo com economistas, está atrelada à forte base de comparação no ano passado. No segundo trimestre de 2008, o PIB havia crescido 1,60% ante o primeiro trimestre e 6,20% na comparação a idêntico período de 2007.
Há que se lembrar que o ponto mais agudo da crise internacional, que contaminou a economia real a partir da quebra de confiança no setor bancário por meio do corte de crédito para o setor produtivo, deu-se a partir de 15 de setembro de 2008, com a quebra do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers. Tanto que, no terceiro trimestre do ano passado, a economia brasileira cresceu 1,80% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 6,80% na comparação anual. Os efeitos da crise se fizeram presentes mesmo só no quarto trimestre do ano passado e no primeiro deste ano.
Embora o PIB possa dar, no segundo trimestre deste ano, sinais de que tenha saído da recessão técnica, a sua possível expansão ainda não gera euforia por causa das condições em que o eventual crescimento acontece. A expansão prevista está ainda embasada sobre os estímulos fiscais do governo, o que dá margens aos analistas para desconfiarem que, se não fosse a ajuda governamental, a economia não teria ainda condições de andar por suas próprias pernas.
Indústria e Consumo
A indústria cresceu 2,1% no segundo trimestre em comparação com o primeiro, de acordo com a pesquisa do IBGE. Na mesma comparação, a agropecuária caiu 0,1% e o setor de serviços, o de maior peso no PIB, teve expansão de 1,2%. O indicador geral registrou alta de 1,9% no segundo trimestre, confirmando que o Brasil saiu da recessão técnica.
De abril a junho deste ano, em relação ao mesmo período de 2008, a indústria desabou, com queda 7,9%, enquanto a agropecuária registrou queda de 4,2%. Já o setor de serviços cresceu 2,4% em relação ao segundo trimestre de 2008.
No primeiro semestre de 2009, em comparação com igual período do ano passado, o PIB da indústria caiu 8,6%, o da agropecuária apresentou queda de 3,0% e o dos serviços cresceu 2,1%. Nos 12 meses encerrados em junho, o desempenho da indústria foi negativo em 3,0%, o da agropecuária foi positivo em 0,2% e o setor de serviços mostrou expansão de 3,1%.
O consumo das famílias no segundo trimestre cresceu 2,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, informou o IBGE. Em relação ao mesmo período do ano passado, o consumo das famílias aumentou 3,2%. No total do primeiro semestre, houve expansão de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 12 meses encerrados em junho, o consumo das famílias teve ampliação de 3,5% na comparação com igual período anterior.
O IBGE registrou queda de 0,1% para o consumo do governo no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre deste ano, e crescimento de 2,2% na comparação com o segundo trimestre de 2008. No primeiro semestre, o consumo do governo subiu 2,5% em relação a igual período de 2008 e 4,2% nos 12 meses encerrados em junho.
Investimentos
Os investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), ficaram estáveis no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano, informou o IBGE. Na comparação com o segundo trimestre de 2008, houve queda de 17%. No primeiro semestre, a FBCF acumulou queda de 15,6% na comparação com igual período de 2008. Nos 12 meses encerrados em junho, houve redução de 2,2%. A Formação Bruta de Capital Fixo é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.
A taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 15,7% no segundo trimestre. No segundo trimestre de 2008 havia ficado em 18,5%. A taxa de 15,7% é a menor apurada em um segundo trimestre desde 2003. Na média do primeiro semestre, a taxa de investimento foi de 16,1% - no mesmo período do ano passado, havia sido de 18,5%.
A taxa de poupança (poupança/PIB), por sua vez, foi de 15,0% no segundo trimestre e, no primeiro semestre, ficou em 13,1%. No segundo trimestre de 2008, havia sido de 19,0% e, no primeiro semestre do ano passado, de 17,2%.

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