Brasil resolve dar trégua na ''guerra do frango''
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sábado, 05 de janeiro de 2002
Jamil Chade 
GenebraA crise econômica na Argentina e a posse do novo governo em Buenos Aires devem obrigar o Brasil a dar um tempo nas queixas contra as barreiras colocadas pela Argentina aos produtos nacionais.
O Itamaraty havia entrado com um processo na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o protecionismo argentino ao frango brasileiro e Buenos Aires teria até a próxima segunda-feira para explicar suas medidas. Caso os argentinos não respondam às queixas, o Brasil estaria autorizado a pedir que os árbitros da OMC julguem a disputa.
Mas funcionários do governo brasileiro informaram à Agência Estado que, diante da crise em Buenos Aires e da troca de governo, Brasília poderá dar mais uma chance ao novo governo argentino para se explicar. Isso não quer dizer que vamos desistir do caso. Apenas vamos ver o que diz o novo governo de Duhalde, afirma um funcionário do governo brasileiro.
Enquanto Brasília adota uma paciência estratégica com a Argentina, os produtores nacionais continuam pressionando para que o Itamaraty deixe que os árbitros da OMC julguem o caso.
A Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) alega que já teve prejuízos no valor de US$ 50 milhões desde que as barreiras antidumping passaram a ser aplicadas.
Segundo as regras da OMC, as barreiras antidumping são aplicadas após uma investigação que comprova que um determinado produto estaria entrando no mercado com preços desleais e gerando prejuízos para a indústria nacional.
Com base nessa regra, Buenos Aires argumenta que os produtores brasileiros estariam vendendo o frango nacional na Argentina a preços inferiores aos praticados no mercado brasileiro, o que comprovaria o dumping. O resultado dessa prática, segundo a Argentina, tem sido a perda da competitividade do frango argentino em seu próprio mercado.
Por esse motivo, as autoridades em Buenos Aires estabeleceram um preço mínimo de US$ 0,98 do quilo de frango para que o produto brasileiro possa entrar no país. Caso o valor mínimo não seja respeitado, uma taxa é cobrada.


