Brasil registra a maior inflação do Mercosul em 2004
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Brasil acumulou a maior inflação entre os países do Mercosul em 2004, segundo mostrou o Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em levantamento que inclui, além dos países do bloco econômico, também o Chile. O Índice de Preços ao Consumidor Harmonizado (IPCH) foi divulgado simultaneamente ontem em cinco países e mostrou que o Brasil é o único no qual o transporte tem peso maior que a alimentação no orçamento das famílias.
No ano passado o Brasil acumulou um IPCH de 7,7%, praticamente igual ao IPCA (7,6%) do período. O índice brasileiro harmonizado no ano passado foi superior aos registradas na Argentina (6%), Chile (2,6%), Paraguai (2,9%) e Uruguai (7,3%). Já a inflação medida pelo IPCH no acumulado de 2000 a 2004 foi maior no Uruguai (63,2%) e o Brasil ficou em segundo lugar (53,5%). Ao longo dos cinco anos pesquisados, o índice mostrou que os períodos de crise cambial resultaram em escalada inflacionária.
As crises cambiais e as tarifas administradas exerceram os principais impactos no orçamento das famílias do Mercosul - Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil - e do Chile, entre 2000 e 2004. ''Fica nítida a associação entre a elevação das taxas de inflação no Brasil, Argentina e Uruguai no momento em que esses países tiveram uma crise cambial. É possível observar uma correlação entre os problemas cambiais na região e a inflação nos países'', destacou Eduardo Nunes, presidente do IBGE.
No caso do Brasil, a maior inflação registrada nos cinco anos pesquisados ocorreu em 2002 (IPCH de 13%), por causa da disparada do dólar no ano eleitoral. Na Argentina, a crise cambial reverteu uma deflação de 1,8% em 2001 para uma inflação de 42,4% em 2002. Também no Uruguai, que foi contaminado pela crise do câmbio argentina, a inflação disparou para 27% em 2002.
O IPCH foi calculado a partir dos indicadores oficiais de inflação de cada País, pelos institutos nacionais de estatística. Ainda que alguns itens que compõem a cesta de produtos desses índices oficiais tenham ficado de fora do cálculo, mais de 90%, na média, foram incluídos. No caso do Brasil, foi usado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e 94% dos produtos da cesta de compras foram computados na taxa harmonizada.
A coordenadora de índices de preços do IBGE, Márcia Quintslr, destacou também a estabilidade da inflação no Chile nos anos pesquisados, com índice acumulado (IPCH de 16,1%) bem inferior ao dos demais países.
No caso das tarifas, apenas a Argentina apresentou reajustes pouco expressivos em serviços como energia elétrica e gás no período. No Brasil, as tarifas de energia elétrica, segundo o IPCH, tiveram reajuste acumulado de 112,0% de 2000 a 2004. No Paraguai chegou a 114,5%, no Chile a 53,4% e no Uruguai, a 86,6%. Na Argentina, o reajuste da energia elétrica - que está congelada há alguns anos - no período não ultrapassou 1,5% e o de gás somou 31,5%. No Brasil, a tarifa de gás teve aumento de 126,4%.


