Brasília - O governo brasileiro considera ''inaceitável'' boa parte da proposta que os Estados Unidos apresentaram na segunda-feira ao Comitê do Aço da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que prevê a eliminação completa dos subsídios ao setor siderúrgico. Apesar de defender o fim dessas medidas, o Itamaraty vai manter-se cauteloso em relação a um possível acordo sobre esse tema durante as reuniões que ocorrem entre hoje e sexta-feira na OCDE, em Paris.
O ponto de maior resistência da diplomacia brasileira em relação à proposta americana é o que defende o fim de todas as medidas de apoio oficiais para a produção e o comércio de aço, exceto àquelas destinadas ao fechamento de usinas siderúrgicas. O texto não define exatamente o que Washington considera como subsídios. Isso deixaria margem, por exemplo, para que eventuais financiamentos de longo prazo, destinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a projetos de ampliação da capacidade de produção possam receber essa classificação.
''A proposta dos Estados Unidos é ambiciosa ao dizer que é preciso ter uma visão de conjunto sobre o setor. Mas, para nós, o princípio de eliminação de todo o subsídio, tal como foi apresentado, é inaceitável'', afirmou o embaixador Valdemar Carneiro Leão, diretor-geral do Departamento Econômico do Itamaraty. ''A nós, interessa o saneamento do mercado siderúrgico mundial. O Brasil não concede subsídios, mas é prejudicado por países que praticam essas medidas distorcivas'', completou.
Segundo o embaixador, o governo brasileiro tenderá a enfrentar as negociações na OCDE com ''cuidado em relação a um eventual acordo''. Para o Brasil, ainda não está claro se a elaboração desse acerto será a melhor alternativa para regular o mercado de aço. Mesmo que aceite o acordo, ainda haverá dúvidas sobre sua abrangência.
Por enquanto, os trabalhos ainda se concentram no grupo de estudos, que não tem poder de fechar a negociação. Suas conclusões serão analisadas em uma reunião de alto nível do secretariado da OCDE marcada para os dias 18 e 19 de dezembro, em Paris. A expectativa de Carneiro Leão é que as discussões ainda prossigam depois desse encontro.

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