Brasília Pela segunda vez neste ano, as contas CC-5 foram responsáveis pelo ingresso de capital estrangeiro no País, segundo dados do Banco Central. Instrumento utilizado tradicionalmente para o envio de dólares ao exterior, as CC-5 registraram em setembro uma entrada líquida de US$ 47 milhões.
Isso significa que o total de dinheiro enviado do exterior para o Brasil superou em US$ 47 milhões a soma das remessas feitas no período. Entre janeiro e setembro, porém, ainda se registra número negativo: a saída líquida de recursos pelas CC-5 totalizou US$ 1,314 bilhão. No mesmo período do ano passado, esse número chegou a US$ 6,849 bilhões.
As CC-5, conhecidas como contas de não-residentes, permitem o envio de recursos de maneira menos burocrática. Pessoas que façam operações de US$ 10 mil, por exemplo, não precisam se identificar ao BC.
Em geral, a saída de dólares por meio desse instrumento se intensifica em momentos de crise, quando pessoas e empresas enviam recursos ao exterior numa tentativa de proteger seu patrimônio. No ano passado, as remessas aumentaram nos meses que antecederam as eleições presidenciais. Somente em outubro, US$ 1,725 bilhão deixou o País por meio das CC-5.
Apesar da entrada de dólares pelas CC-5, o fluxo de capital externo para o Brasil ficou negativo no mês passado. As remessas de recursos para fora do País superaram os ingressos em US$ 859 bilhões. As operações de comércio exterior trouxeram US$ 2,172 bilhões ao País em setembro, mas as transações financeiras (pagamento de dívidas, gastos com viagens ao exterior, remessas de lucros, entre outras) resultaram na saída de US$ 3,078 bilhões.
As transações financeiras incluem ainda as intervenções do Tesouro Nacional no mercado de câmbio. Desde agosto, o Tesouro passou a comprar elevadas quantidades de dólares, com o objetivo de usar os recursos para pagar parcelas da dívida externa do governo. O Tesouro não informa, porém, a quantidade de dólares comprada no mês passado.

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