Brasil recebeu US$ 28 bi no ano passado
France Presse
De Nova York
Apesar das turbulências financeiras, os investimentos estrangeiros diretos na América Latina e no Caribe chegaram a mais de US$ 71 bilhões em 1998, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, segundo um informe da ONU divulgado ontem. Este incremento dos investimentos estrangeiros diretos (IED) na região se produziu num momento em que diminuiu o fluxo destes investimentos para os países em desenvolvimento, indica o documento da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).
Os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) foram os mais beneficiados com este fluxo crescente de capital externo, recebendo quase a metade do total, revelou o informe intitulado Investimentos direto no mundo e o desafio ao desenvolvimento.
O Brasil ocupou o primeiro lugar na lista de países receptores, com uma afluência de US$ 28 bilhões. O segundo lugar coube ao México, com US$ 10 bilhões, indica o informe da agência da ONU, precisando que os Estados Unidos continuaram sendo o mais importante investidor na América Latina e no Caribe.
Os investimentos diretos feitos pela União Européia na América Latina e no Caribe foram significativos, destaca o documento, apontando que a UE está começando a desafiar o tradicional domínio dos Estados Unidos na região.
A Espanha foi o país europeu que mais investiu na região: seus aportes de capital representam uma terça parte de todos os investimentos externos da União Européia na América Latina e no Caribe em 1997. A agência da ONU destaca que este fluxo de capital serviu como uma força estabilizadora, num contexto de forte queda dos preços das matérias primas, e no qual as moedas de vários países, entre eles a do Brasil, foram alvo de múltiplos ataques especulativos.
Além disso, o fluxo ajudou a amortecer alguns efeitos produzidos por balanças comerciais, antes positivas, e que registraram resultados negativos em 1998, agrega o documento. Os processos de privatização de empresas estatais, de recursos naturais ou serviços, foram grandes fontes de capital externo na região. Além disso, grandes mercados, particularmente os do NAFTA e do Mercosul, serviram para atrair os investidores, acrescenta a CNUCD.
Segundo o informe, o fluxo de capital dos países latino-americanos e caribenhos para outros países chegaram a mais 15 bilões de dólares, dos quais mais da metade foram investidos dentro da região. A UNCTAD destaca, no entanto, que mais de dois quintos desses fluxos foram provenientes de centros financeiros off shore, pelo que não podem ser atribuídos apenas aos países da América Latina e do Caribe. O informe precisa que, dos aproximadamente 8 bilhões investidos na região, por países, as empresas multinacionais argentinas, brasileiras e chilenas foram as que se mostraram mais ativas.





