Brasil recebe mais soja transgênica
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terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Gilson Camargo/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
DesembarqueO Greenpeace usa corda para chegar ao navio com a soja transgênica em São Francisco do Sul: inútil O descarregamento de soja transgênica (semente geneticamente modificada) no Brasil é legal, foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, do Ministério da Ciência e Tecnologia, e a Abiove que solicitou a importação, afirma que ainda vai chegar mais soja modifificada no país. A previsão da Abiove é que pelo menos 800 mil toneladas de soja importada dos Estados Unidos entre em janeiro, período de pico da entressafra para a indústria.
Essa foi a resposta do secretário geral da Abiove, Fábio Trigueirinho, à polêmica criada pelo grupo ambientalista Greenpeace que bloqueou o desembarque de soja modificada importada dos EUA no porto de São Francisco, em Santa Catarina. Para Trigueirinho, esse movimento não tem sentido porque a comercialização de soja transgênica foi aprovada pelos principais órgãos de governo dos paises onde o produto é comercializado como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Canadá, México, Argentina, Japão e Dinamarca. Ele informou que a Abiove solicitou a importação de 1,5 milhão de t de soja em regime de draw-back, que depois voltam aos países de origem na forma de óleo e farelo. Desse total, 700 mil t vieram do Uruguai e o restante está sendo importado dos Estados Unidos.
Para o secretário da Abiove, cerca de 10% a 15% da safra de soja norte-americana já é transgênica e, portanto, fica impossível separar o produto convencional e o geneticamente modificado. Ele salientou que essa é uma tendência em todo o mundo, sendo que a Argentina já planta 20% a 25% da safra com semente modificada.
Segundo o presidente da CNT-Bio, Luiz Antônio Barreto de Castro, as análises feitas no mundo inteiro indicam que a soja transgênica não provoca danos à saúde humana e ele considera esses testes suficientes para liberar o produto, não vendo sentido em repetir tudo de novo. Portanto, Barreto considera que o Greenpeace está incorrendo em movimento ilegal e como tal deve ser encarado.
Segundo Barreto, a soja transgênica é realidade em todo o mundo e o Brasil já se incorporou à essa linha de pesquisa, inclusive com órgãos de governo como a Embrapa, em Londrina. O órgão vem fazendo plantio experimental em parceria com a Monsanto (que detém a tecnologia da modificação do gene) há um ano e a multinacional mantém um campo experimental em Ponta Grossa. A soja transgênica diferencia da convencional porque foi introduzida na semente o gene de uma bactéria que vai dar mais resistência ao ataque de pragas, dispensando o uso de inseticidas, explica o pesquisador da área de biotecnologia da Embrapa Ricardo Vilella Abdelnoor. No caso, a Monsanto criou uma soja resistente ao principal herbicida que ela produz. O técnico também garante que o produto não faz mal à saúde humana e que vem sendo consumida nos EUA há 3 anos.
Para Barreto, da CNPQsoja, a comercialização da soja transgência no Brasil será irreversível em pouco tempo se o país quiser se manter competitivo com os demais países produtivos.


