O embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, rebateu ontem as acusações de protecionismo feitas contra o Brasil em um editorial do jornal The New York Times, e as reverteu contra os Estados Unidos. Em uma carta publicada pelo jornal nova-iorquino, Barbosa afirma que o Brasil é um dos 12 países com os quais os Estados Unidos têm superávit comercial desde 1995, mas apesar disso Washington impõe medidas restritivas, tais como cotas, contra 60% das exportações brasileiras.
‘‘Mais de 130 produtos brasileiros enfrentam tarifas norte-americanas de mais de 35% de seu valor’’, informou o diplomata. Ele apontou que muitos produtos agrícolas brasileiros são excluídos do mercado norte-americano por causa dos fortes subsídios dos agricultores norte-americanos, enquanto produtos industriais ‘‘tropeçam em barreiras comerciais injustas’’. ‘‘As exportações brasileiras de aço sofrem por causa das práticas anti-dumping arbitrárias’’, afirmou.
O editorial do New York Times de 27 de abril instava o presidente George W. Bush a finalizar o quanto antes um acordo de livre comércio com o Chile ‘‘para dar impulso’’ ao processo de negociação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e ‘‘contra-atacar o protecionismo do Brasil e da Venezuela’’.
Barbosa respondeu perguntando ‘‘de quem realmente o protecionismo é um problema?’’, e assegurou que a ALCA será sempre bem-vinda quando ‘‘fornecer acesso a todos os setores, estabelecer regras de anti-dumping claras, eliminar os subsídios domésticos e às exportações, e baixar as tarifas alfandegárias’’.

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