O presidente Fernando Henrique Cardoso encaminhou ontem ao embaixador da Coréia do Norte, na Organização das Nações Unidas (ONU), carta propondo o estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a Coréia do Norte. O presidente condicionou essa iniciativa, no entanto, ao fim das experiências nucleares na Coréia do Norte e ao respeito à democracia e aos direitos humanos. Com o anúncio, resta agora que os termos da carta sobre as áreas de entendimento sejam aprovados pelos dois países, para que o Brasil anuncie a indicação de um embaixador para o país, que deverá ser o mesmo da Coréia do Sul, Sérgio Serra. Ao governo brasileiro interessa o atraente mercado da Ásia, que poderia melhorar a situação da balança comercial.
A Coréia do Norte tem 22 milhões de habitantes. Seus cidadãos não têm liberdade para deixar o país, só assistem a emissoras de televisão e rádio oficiais. A visita de estrangeiros só ocorre em ocasiões excepcionais e, mesmo assim, com o acompanhamento, em tempo integral, de um funcionário do governo. O presidente visitou a fronteira de desmilitarização em Panmunjon, a uma hora e meia de Seul, controlada por soldados da ONU. No local, há uma casa construída durante a guerra entre as duas Coréias (a do Norte e a do Sul) e que, até 1953, era utilizada como local para a troca de prisioneiros. O presidente disse que estava ‘‘emocionado’’.

mockup