A 15ª Reunião do Conselho do Mercado Comum, encerrada ontem com a presença de seis chefes de Estado, firmou a posição do Brasil na liderança do Mercosul e marcou o início do entendimento nos dois temas comerciais mais polêmicos nas negociações entre os países membros: o do regime automotivo e o do setor açucareiro. Classificando os problemas como pontuais, o presidente Fernando Henrique Cardoso ressaltou a importância do entendimento iniciado esta semana. ‘‘Com esta atitude, provavelmente será mais fácil mudar o temporal que vem por aí, que é o da recessão aqui e ali’’, afirmou.
Dos encontros de cúpula do Mercosul, que se repetem semestralmente, para transferência da presidência, esta foi a que representou um dos maiores avanços dos últimos anos, tanto no plano comercial quanto no político, com o apoio em torno da decisão chilena sobre o caso Pinochet. O Chile ingressou no Mercosul, juntamente com a Bolívia, há dois anos, ambos como países associados. ‘‘Temos mais problemas fora do Mercosul do que dentro’’, disse Fernando Henrique, comentando as exigências da União Européia para importação de produtos agrícolas e dos Estados Unidos a manufaturados.
Raul Cubas, presidente da Bolívia, único país a integrar simultaneamente o Pacto Andino e o Mercosul, afirmou que a tendência é de que os dois blocos comerciais acabem se fundindo. As negociações técnicas do Conselho de Mercado Comum, órgão que reúne os ministros de Estado de todos os países, foram iniciadas domingo, no Rio, com as equipes técnicas, e terminaram ontem com protocolos assinados por ministros de Estado, com o aval dos presidentes Carlos Menem (Argentina), Raul Cubas (Paraguai), Julio Maria Sanguinetti (Uruguai), Eduardo Frei (Chile), Hugo Banzer (Bolívia) e Fernando Henrique.

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