Brasil quer vender frango para China e Coréia
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quinta-feira, 11 de novembro de 2004
Venilson Ferreira<br> Agência Estado 
São Paulo - O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), Cláudio Martins, disse ontem que o setor fecha este ano com expectativa otimista, em função das negociações que estão em curso com a Coréia do Sul e com a China para abertura deste mercados para a importação da carne de frango brasileira.
Martins afirmou que, do ponto de vista técnico, já foi discutido um protocolo com as autoridades sanitárias chinesas, e espera que a concretização venha com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da China, Hu Jintao, que chega ao Brasil hoje (leia matéria na página 3).
O setor também aguarda a liberação do mercado sul-coreano, cuja missão técnica encerrou ontem visitas de auditoria a quatro unidades industriais da região Sul.
Martins diz que o setor normalmente faz suas projeções na primeira reunião do ano, mas as expectativas otimistas deste final de 2004 permitem projetar um aumento entre 8% a 10% nas exportações para o exercício de 2005.
Ele afirmou que no início deste ano o setor trabalhava com uma projeção de crescimento do volume das exportações de carne de frango da ordem de 10% a 15% e agora a estimativa é de aumento de 25%. Ele disse que as boas condições sanitárias aumentaram a procura e valorizaram a carne brasileira, que ocupou espaço dos países que enfrentaram problemas com a gripe aviária.
No acumulado deste ano, as exportações para o Oriente Médio somaram 613.562 toneladas e cresceram 21,5%. A receita cambial somou US$ 549 milhões, valor 35% acima do verificado em igual período do ano passado. O destaque é a Arábia Saudita, principal importador da carne brasileira, para onde foram exportadas 265.907 toneladas neste ano, volume que corresponde a 43% do total embarcado para a região.
Martins afirmou que as exportações para a Ásia de janeiro a outubro deste ano somaram 519.296 toneladas e cresceram 35% em relação ao mesmo período do ano passado. ''Mas a receita cambial no período, de US$ 619,8 milhões, teve um incremento bem mais expressivo, de 84%. A performance nos preços reflete a maior participação dos cortes de frango, um produto de maior valor agregado, no mix de vendas, situando a Ásia como a maior compradora do produto brasileiro em receita cambial.''
Ele disse que as compras do principal cliente da carne de frango brasileira na região, o Japão, somaram 265.508 toneladas entre janeiro e outubro. ''O desempenho indica que, em breve, o país deverá se tornar nosso maior comprador em todo o mundo, superando a Arábia Saudita.''
Já as exportações para a União Européia (UE) tiveram uma redução de 13% entre janeiro e outubro, na comparação com o mesmo período em 2003. ''A receita cambial cresceu apenas 1%, chegando a US$ 398 milhões. Apesar do fim da inspeção obrigatória da carne de frango em relação a nitrofuranos, as exportações continuam afetadas pela sobretaxa de 75% sobre o corte do peito de frango salgado, aplicada pela UE e que está sendo questionada pelo Brasil através de um painel na OMC (Organização Mundial do Comércio)'', diz.


