Uma polêmica ocorreu esta semana no Paraguai diante da confirmação de negociações iniciadas pelo governo de Luis González Macchi para ceder ao Brasil toda a energia da represa hidrelétrica Itaipu, propriedade dos dois países.
Jaime Bestard, porta-voz do presidente, admitiu ontem que o Brasil oferece um crédito de US$ 1 bilhão anuais em troca de toda a produção de Itaipu, 82 bilhões de kilowatt/hora por ano, ou 12.600.000 kilowatts de potência instalada.
Bestard acrescentou que a proposta está sendo considerada pelo governo do Paraguai e desqualificou a versão denunciada por um setor da imprensa anunciando uma iminente ‘‘entrega de Itaipu’’ ao Brasil.
‘‘Não é tão grave como assinala o jornal ABC’’, disse Bestard. Ele afirmou que US$ 192 milhões de US$ 1 bilhão já foram entregues ao Ministério de obras públicas e ao Ministério do Interior para a compra de maquinários e a construção de estradas.
Consultado na coletiva sobre de onde o Paraguai se proverá de energia se vender toda a energia de Itaipu, ele respondeu que no pacote oferecido pelos brasileiros figura a construção de uma nova linha de transmissão com a represa paraguaio-argentina Yacyretá para se abastecer.
Yacyretá conta com 3.000.000 de kilowatt de potência instalada, quatro vezes menos do que Itaipu. Ricardo Canese, ex-ministro da energia do atual governo, que renunciou ao cargo meses atrás por discordar da política energética do presidente González Macchi, advertiu que o Paraguai pode perder sua soberania se entregar toda a energia de Itaipu a seu vizinho.

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