Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar hoje a visita do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o espanhol Rodrigo Rato, para pedir a criação de uma linha de crédito emergencial, que seria usada no caso de um país com boa conduta fiscal e monetária enfrentar uma crise financeira.
No final do ano, vence o atual acordo brasileiro com a instituição, que envolve recursos da ordem de US$ 30 bilhões. A tendência, dentro do governo, é não renová-lo. O País, no entanto, só dará uma resposta definitiva ao Fundo em dezembro. A decisão final depende, entre outras questões, da própria criação de uma linha emergencial.
Ao assinar o atual acordo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, disse que se tratava apenas de uma espécie de seguro. De fato, até agora, ao longo de 2004, o Brasil não sacou os recursos aos quais tem direito. O próprio Palocci já falou que não há intenção de renovar o acordo com o FMI, mas quer manter o aval da instituição à política econômica. Se ficar sem um acordo, o governo gostaria de ter acesso fácil a uma linha de crédito, caso haja turbulências internacionais, uma espécie de seguro anticrises.
Essa linha emergencial seria menos burocrática que os atuais programas do FMI, que exigem do país diversos compromissos, como metas de superávit primário (economia do governo para o pagamento de juros), metas de inflação e pisos mínimos de reservas internacionais. Para convencer o FMI, a equipe de Lula vai defender a necessidade de se ter uma arquitetura financeira internacional mais sólida e menos vulnerável a ataques especulativos.
Outro assunto na pauta será a exclusão de investimentos feitos pelas estatais em infra-estrutura do cálculo das contas públicas. O FMI discute o assunto internamente e pretende dar uma reposta até o final do ano.

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