Brasil quer rede de proteção a emergentes
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De Brasília 
O governo brasileiro quer que organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o grupo dos sete países mais ricos do mundo (G-7) se manifestem garantindo o fluxo de recursos para as economias emergentes mais duramente atingidas pela crise internacional.
Na avaliação da equipe econômica, tal posicionamento daria mais segurança aos investidores. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, pretendia levantar essa questão na reunião anual do FMI, que deveria ocorrer neste final de semana, mas foi adiada devido ao ataque terrorista aos Estados Unidos.
A questão deverá ser discutida em novembro, na Índia, durante reunião do G-20, que reúne os países do G-7 mais um grupo de países emergentes.
Se houvesse tal compromisso da comunidade oficial internacional, o risco de aplicação de recursos nos países emergentes ficaria menor.
Dessa forma, seria afastada a ameaça de um corte abrupto no fluxo de investimentos e, com isso, o risco de esses países enfrentarem dificuldades em honrar seus pagamentos ao exterior.
Na opinião do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, é ''responsabilidade'' do FMI e do G-7 deixar claro que estão atentos ao funcionamento dos mercados e que atuarão para evitar problemas de liquidez. ''Se houver, por exemplo, uma situação em que os investidores comecem a achar o Brasil arriscado e decidam retirar dinheiro do País, o papel dessas instituições é evitar que haja uma interrupção abrupta do fluxo de investimentos'', disse. ''Eles precisam deixar claro que, se o Brasil ou algum outro emergente precisar, eles seguram a barra.''
Seria, segundo explicou, algo semelhante ao pacote de ajuda ao Brasil coordenado pelo FMI logo após a crise da Rússia. ''Mais importante do que o dinheiro, é a mensagem'', comentou.
Loyola admite que esse tipo de articulação em socorro às economias emergentes era mais fácil quando os EUA eram governados pelos democratas. ''Agora, a tendência é de uma menor intervenção; a atual administração acha que quem emprestou mal deve arcar com os prejuízos'', explicou. Por isso, acha o ex-presidente do BC, os agentes de mercado têm razões para não esperar uma rede de proteção aos países em desenvolvimento. ''Pode ser que o ataque terrorista tenha, de alguma forma, flexibilizado essa postura'', avaliou.
Ele acredita que, se o FMI coordenar agora alguma forma de ajuda aos emergentes, estará prevenindo um agravamento da crise. ''A prevenção pode significar a diferença entre um modesto desembolso de recursos agora e um gasto expressivo de recursos no futuro, na eventualidade de a crise se instalar definitivamente'', disse.
Loyola também acredita que essa é uma oportunidade para o FMI, cujo papel vem sendo questionado há alguns anos, desempenhar um papel-chave na política norte-americana após o atentado.


