Brasília - O governo quer elevar, nos próximos cinco anos, a produção nacional de sardinha para 100 mil toneladas por ano, volume bem acima das 22 mil toneladas de 2002. A previsão, no entanto, está muito abaixo das 228 mil toneladas de 1973, recorde do País. ''A produção de 100 mil toneladas é um nível sustentável para a pesca brasileira'', afirmou o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rômulo Mello. O volume de 100 mil toneladas supera a demanda interna, estimada pela Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca em 80 mil toneladas, entre pescado ''in natura'' e industrializado.
Mello divulgou ontem levantamento mostrando que a produção de pescados foi recorde em 2002: 1,006 milhão de toneladas, um aumento de 2,1% em relação ao ano anterior. Da produção total, 58% (587 mil toneladas) vêm do mar e 42% (420 mil toneladas), de águas continentais. O estudo - feito em parceira com secretarias estaduais de Agricultura, Emater, associação de produtores e prefeituras - mostrou que 50% da produção nacional é proveniente da pesca artesanal.
Mello estimou que a produção pesqueira vai crescer nos próximos anos, resultado da demanda interna e das exportações. Em 2002, foram exportados 81 produtos derivados do pescado, mas camarões e lagostas são responsáveis por 66% do total embarcado. O superávit da balança comercial do setor foi de US$ 139,2 milhões em 2002. ''A expectativa é de crescimento da produção e das exportações, mas o governo defende o ordenamento pesqueiro no País'', disse.
Além da sardinha, outro segmento que está na mira do governo é a captura de lagosta. Estimativas do Ibama mostram que há 3.700 embarcações pescando lagosta no País. ''Não temos capacidade para mais de 900 barcos. Vamos impor restrições'', afirmou.

mockup