Brasil quer multiplicar exportações por 10
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quarta-feira, 19 de maio de 2004
Vladimir Goitia<br> Agência Estado 
São Paulo - De posse de uma pesquisa inédita de mercado, encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil espera multiplicar por 10, em curto espaço de tempo, as exportações brasileiras para a China. Às vésperas da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma comitiva de ministros, governadores e empresários de pequenas, médias e grandes empresas, o ministro Luiz Fernando Furlan avalia que há na China pelo menos 300 milhões de consumidores para produtos brasileiros com alto valor agregado. Isto é, o Brasil não quer ser apenas fornecedor de matérias-primas ou produtos com pouquíssimo valor adicionado.
''Queremos diversificar nossas exportações, porque o hábito dos chineses está mudando e porque há um crescente aumento de renda da população'', afirmou o ministro, em entrevista a mais de 20 jornalistas estrangeiros. ''O espaço para nossos exportadores) é dez vezes maior do que é hoje'', acrescentou.
No ano passado, o Brasil exportou à China US$ 4,5 bilhões, 79,8% a mais do que em 2002. Entre janeiro e abril deste ano, as vendas brasileiras para o mercado chinês cresceram 32,2% em relação ao mesmo período de 2003, passando de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,6 bilhão.
Embora a viagem à China que começa este final de semana seja mais de caráter político do que de negócios, o governo espera já estar abrindo caminho para uma série de produtos como cafés especiais, frutas processadas, sucos, cachaça, equipamentos e materiais esportivos, móveis, cosméticos, pedras preciosas, equipamentos médicos e odontológicos e carnes. Entretanto, uma promoção mais agressiva e convincente para estes produtos, principalmente os que apresentam valor agregado, ocorrerá entre os dias 16 e 18 de junho, quando uma missão comercial brasileira liderada pela Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) desembarcará em Xangai.
''Vamos levar, inclusive, dois veículos bicombustíveis para expô-los na China'', explicou o ministro. Nessa viagem, acrescentou Furlan, ''não irá ninguém que não esteja preparado para fazer negócios''. De acordo com ele, o governo chinês tem mostrado extremo interesse no sistema de mistura de gasolina com álcool (etanol) devido ao aumento de poluição nos grandes centros urbanos chineses. O consumo de etanol brasileiro pela China e, eventualmente, a produção no mercado chinês com tecnologia nacional dependem ainda de uma regulamentação do governo de Pequim. Por enquanto, explicou Furlan, ''nossa missão é convencê-los de que vale a pena.''


