Brasil quer manter pressão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de setembro de 2001
Paula Puliti<br> Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse hoje em São Paulo que, apesar dos impactos dos ataques terroristas sobre a economia dos Estados Unidos, o Brasil não pretende recuar da intenção de questionar os subsídios que aquele país concede aos seus produtores de soja. ''Negócio é negócio. Vamos manter nossos planos'', declarou o ministro ao comentar a ação que o Brasil mantém na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios norte-americanos. Amanhã (25), em Genebra acontece mais uma reunião entre os dois países, parte do processo para a abertura de um painel (Comitê de Arbitragem) solicitado pelo Brasil que aponta os subsídios como fator de depressão dos preços da comodity no mercado internacional.
Em declarações feitas na Fiesp, onde participou de seminário sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Pratini de Moraes, ressaltou que a prioridade para os setor agrícola brasileiro são as negociações multilaterais na Organização Mundial do Comércio (OMC), único fórum onde o Brasil poderá discutir subsídios à exportação e os sistemas de suporte de preços agrícolas.
O ministro reiterou que os chamados países ricos fornecem, por dia, US$ 1 bilhão para subsidiar as vendas externas de seus produtores rurais. Pratini afirmou que, no caso das negociações bilaterais para a Alca e o acordo Mercosul/União Européia, o Brasil poderá tentar negociar acesso a mercados, como queda de barreiras tarifárias e não tarifárias, mas o grande entrave dos subsídios só será resolvido na OMC.
Pratini afirmou, ainda, que para o produtor rural brasileiro as negociações com a União Européia são mais relevantes do que a Alca. Isso porque, a Europa é grande cliente do Brasil, comprando 50% das exportações do agronegócio, enquanto que nos países do Nafta (Estados Unidos, Canadá e México) as exportações totalizam apenas 15%.
A lógica de Pratini é que é mais fácil ampliar as exportações para os países onde o produto brasileiro é mais difundido. Pratini afirmou que o setor espera que os Estados Unidos façam sua oferta para as negociações da Alca e então o Brasil poderá ter uma idéia do que realmente negociar. Para o ministro, ainda não está claro o que os americanos querem com a Alca no setor de agricultura.


