Brasil quer fatia maior de 'megamercado'
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terça-feira, 12 de setembro de 2006
Agência Estado 
Brasília - De olho no megamercado da Índia e da África do Sul, que juntos somam quase 1,2 bilhão de consumidores, o Brasil quer elevar de 2% para 4%, nos próximos quatro anos, a participação desses dois países no total das exportações brasileiras. A meta foi proposta ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, durante o 1º Encontro Empresarial do Ibas, grupo que reúne a Índia, Brasil e África do Sul, conhecido como G-3. O evento é paralelo à reunião de cúpula dos chefes de Estado dos três países, que acontece em Brasília. Segundo Furlan, a aproximação empresarial vai estimular o fechamento de grandes acordos comerciais nos próximos anos.
Combustíveis alternativos, como o etanol, os carros flex (movidos com gasolina e álcool), mineração, produtos agrícolas e farmacêuticos são as principais áreas de interesse do Brasil para parceiras no grupo. Para uma platéia de 161 empresários e 55 integrantes do governo dos três países, o ministro brasileiro não perdeu a oportunidade para atuar como ''garoto propaganda''.
Furlan ressaltou que os dois países têm falta de petróleo e que o uso de combustíveis alternativos vai permitir a diminuição da dependência do produto fóssil. ''O Brasil tem uma fórmula que cria um grande volume de empregos, reduz a dependência de combustível fóssil e é renovável'', enfatizou o ministro.
Para o ministro do Comércio e Indústria sul-africano, Mandisi Mpahlwa, os empresários não estão tirando benefício da complementaridade e que existe hoje entre as três economias e, por isso, o comércio trilateral é ainda muito pequeno. Segundo ele, a criação desse ''bloco gigante'' abre espaço para que os três países ocupem conjuntamente nichos de mercado internacionais, em setores como o aeroespacial e farmacêutico. ''Se fizéssemos juntos as coisas que hoje estamos fazendo individualmente, teríamos resultados muito mais rápidos'', argumentou. ''Não somos só concorrentes. Há áreas que podemos cooperar'', disse.
O ministro do Comércio e Indústria da Índia, Kamal Nath, destacou que a geografia e as distâncias não ditam mais as regras comerciais. ''Há 15 anos, quando estive aqui, o Brasil parecia tão distante'', lembrou, ressaltando que o desafio agora no mundo globalizado é ampliar a cooperação Sul-Sul entre os três países.


