O rascunho do documento que será discutido a partir de hoje na 4 Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) está entre ''70% e 80% razoável'' para o Brasil, admitiu à Agencia Estado o embaixador Celso Amorim, que representa o País em Genebra. Ele reforçou, no entanto, que em temas como a agricultura, o Brasil deverá levantar algumas posições que pretende ver incluídas no documento final. Esse documento final será, na verdade, a Declaração Ministerial, mandato negociador para uma nova rodada de negociações comerciais. Ele afirmou que as principais demandas brasileiras estão cobertas pela proposta e que, no momento, a preocupação é evitar que durante a conferência o texto retroceda em relação ao que já foi acordado.
A proposta foi elaborada por Stuart Harbison, presidente do Conselho Geral da OMC, e teve duas revisões até chegar a versão trazida para Doha. A partir de hoje, os ministros dos 142 países membros vão tentar defender algumas posições de alto interesse e, finalmente, aprovar ou não uma declaração final. ''Há imprecisões no tema agricultura que podem ser melhoradas'' disse Amorim.
Um outro diplomata brasileiro comentou que tanto a União Européia quanto o Grupo de Cairns, de países exportadores de produtos agrícolas, estão insatisfeitos com o conteudo agrícola do esboço, mas cada parte tem interesses opostos. De qualquer forma, um mandato negociador genérico, se for o caso, pode trazer vantagens, já que deixa abertas várias portas para as negociações.
Na avaliação dos diplomatas brasileiros, existe uma consciência geral de que o que está em risco é a própria credibilidade da OMC, o que significa que todas as partes devem estar abertas a negociar.

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