Brasil quer encontro com a China
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quinta-feira, 22 de julho de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - Para esclarecer as regras que permitem a venda de soja para a China, o governo brasileiro quer promover um encontro entre autoridades de Pequim e representantes das associações que reúnem as empresas exportadoras de oleaginosa. A intenção é que essa reunião aconteça em setembro, quando representantes da Administração Estatal de Grãos da China devem chegar ao Brasil para tratar, com o Ministério da Agricultura, do comércio de grãos entre os dois países.
O governo brasileiro pretende estender a agenda e promover uma ampla reunião com representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Negociadores das principais tradings que comercializam soja para a China também participariam do encontro. ''Queremos que fique claro, para os dois lados, as regras para o comércio de soja'', disse uma fonte do ministério.
Um outro grupo, formado por autoridades da Secretaria de Assuntos de Economia Rural da China, deve estar no Brasil nos dias 5 e 6 agosto, também para encontros com técnicos em Brasília. A agenda dos dois encontros está sendo elaborada, mas a Embaixada da China no Brasil pediu agilidade ao governo brasileiro.
''Do mesmo modo que precisamos vender soja para a China, os chineses sabem da importância do comércio com o Brasil'', lembrou essa fonte. ''Os embarques de soja para a China seguem normais, cumprindo as regras da Instrução Normativa 11'', disse. De acordo com a IN, para a soja ''in natura'' destinada ao consumo direto (humano ou animal), haverá tolerância zero para a presença de partículas com suspeita de contaminação. No caso de grãos destinados ao processamento e à exportação, será permitida apenas uma partícula tóxica por quilo.
A falta de transparência da China quanto às regras para a importação de soja preocupa a iniciativa privada, mas um interlocutor do Ministério da Agricultura tentou acalmar os ânimos. Ele argumentou que se a China insistir na tolerância zero para os carregamentos de soja não conseguirá comprar soja de nenhum país. ''Risco zero não existe'', disse.
Em reuniões em junho, em Pequim, ficou acertado que o Brasil adotaria sistemas de amostragem que minimizariam o risco de presença de sementes tratadas em carregamentos de soja. O ministério vai enfatizar, durante esses encontros, que tem buscado mecanismos para reduzir esse risco.
Para ele, o governo chinês vai sustentar o discurso de que não aceita mistura de sementes nos carregamentos de soja, para evitar problemas com os consumidores. Mas vai continuar permitindo o desembarque de cargas com presença mínima de uma semente por quilo.


