Brasil quer dobrar vendas para Alemanha
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quinta-feira, 19 de maio de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A Alemanha é o país que mais importa a cachaça brasileira - cerca de 3,2 milhões de litros por ano. Atualmente, é a bebida mais apreciada pelos alemães que compram um terço da cachaça exportada pelo Brasil. Em 2001, o Brasil exportou US$ 8,4 milhões de cachaça, valor abaixo do potencial do setor, que prevê para 2010 cerca de US$ 30 milhões por ano.
E foi por causa da cachaça que o empresário rural José Carlos de Faria e seu filho Guilhermes Augustus participaram ontem do seminário Destino Exportador: Alemanha realizado em Londrina. Eles têm interesse em exportar a Alavanca e a Maria Bonita, dois tipos de cachaças finas produzidas na propriedade deles, em Rolândia.
Genuinamente artesanal, a cachaça Alavanca é envelhecida em barris de carvalho por quatro anos e tem toda uma equipe que controla desde o processo de plantio da cana até a filtragem. Todo processo é realizado na propriedade rural, onde Faria construiu o alambique Cachaça do Brasil Agro Industrial Ltda.
As exportações vão começar a partir do mês que vem com 3 mil garrafas. ''O mercado externo é muito bom e a cachaça é um produto com grande potencial no mercado internacional'', afirma Faria. Segundo ele, a cachaça é uma bebida nacional, mas está consagrada lá fora. ''Os estrangeiros gostam da bebida'', afirma Guilherme, que pesquisou o mercado antes de empreender. A produção da bebida iniciou há quatro anos, quando Faria construiu um alambique com tecnologia bastante avançada.
Mas não é só a cachaça que tem mercado na Alemanha. O gerente geral da Câmara Brasil-Alemanha de Porto Alegre, Lars Grabenschoer, que participou do seminário, informa que soja, carne, móveis, pedras, veículos, têxteis, produtos químicos, entre tantos outros são muito bem aceitos na Alemanha. A principal exigência para quem quer exportar para lá é apresentar produtos de qualidade, obedecer prazos e volume.
O objetivo do seminário é organizar e capacitar os setores para a disputa do mercado internacional, com competitividade, eficiência e qualidade. Com isso, as Câmaras esperam aumentar as exportações brasileiras. ''A Alemanha é o segundo maior importador do mundo depois dos Estados Unidos. A intenção é divulgar as possibilidades que as Câmaras têm para oferecer às empresas que não têm experiências em exportar'', comenta o gerente da Câmara.
Segundo Grabenschoer, uma dose de caipirinha, por exemplo, custa na Alemanha cinco euros - R$ 15,14. No total das exportações o Brasil totaliza US$ 5 bilhões. Isto significa menos de 1% das importações totais da Alemanha. Nosso objetivo é dobrar este percentual'', informa. As exportações Paraná/Alemanha de janeiro a março deste ano totalizaram US$ 191 milhões, de acordo com dados da Câmara Brasil-Alemanha de Curitiba. Os três produtos mais exportados são automóveis, bagaço e resíduos sólidos de extração de soja e bombas injetoras de combustíveis para motor diesel.


