Brasil próximo de obter grau de investimento
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de setembro de 2007
Jamil Chade, enviado especial<br>Agência Estado 
Basiléia - O Brasil está muito próximo de alcançar o status de grau de investimento, afirmou o vice-presidente e analista-chefe da agência de classificação de risco Moody's Investors Service, Pierre Cailleteau. Em entrevista a jornais brasileiros, o executivo destaca a ''mudança estrutural no País'' e aponta que a atual turbulência será o teste para a capacidade do País absorver choques e, portanto, ganhar o novo status. ''Estamos muito perto disso agora. Está claro que o Brasil está em uma trajetória ascendente. O Brasil de hoje não é o de dez anos atrás'', disse.
Para Cailleteau, fatores como a acumulação de reservas internacionais e a forma pela qual a política econômica é conduzida estão gerando um novo cenário para o Brasil. ''O crescimento que dizíamos não existir hoje chegou e as taxas de juros estão caindo'',afirmou.
''Diante desse cenário, se a crise não afetar significativamente países como o Brasil e o País demonstrar que está pronto para enfrentar situações difíceis, essa será a prova de que um grau de investimento precisa ser considerado. Portanto, a crise será um bom teste e nosso julgamento será influenciado por isso'', disse. Para ele, o elemento principal para o País alcançar a melhor avaliação de risco do mercado mundial é mostrar capacidade de enfrentar um choque na economia mundial.
''Se há um choque, o que queremos saber é se surge ansiedade dos credores sobre o pagamento da dívida'', afirmou, lembrando que, em parte, o risco é da agência ao classificar.
''Temos uma forte reputação a manter'', disse. ''Nosso trabalho é indicar aos investidores a situação e se é segura o suficiente para que façam um investimento sem olhar por algum tempo o que ocorre'', disse o francês.
''É isso o que vemos no Brasil, se tem esse grau de confiança suficiente. E o que podemos dizer é que a confiança começa a aumentar no País. Não estamos longe '', avaliou.
A Moody's, porém, sugere que o País não foque todas suas energias apenas na passagem de classificação. Caillteau reconhece, porém, que se trata de um ''elemento simbólico importante''.
Para o analista, a economia brasileira apresenta elementos que indicam que as coisas mudaram de forma estrutural no País . ''No Brasil de hoje , há mudança estrutural se comparado com situação de 10 ou 15 anos atrás'', disse.
Ele reconhece que ainda há dúvidas nos mercados quanto à decisão de elevar o grau do Brasil. Mas está confiante de que existe uma mudança no País que se reflete em uma ''nova dinâmica do crescimento'' e, sobretudo, na diferença entre taxas de juros e inflação.


