Centrais sindicais protestam em frente ao Consulado dos EUA, em São Paulo
Centrais sindicais protestam em frente ao Consulado dos EUA, em São Paulo | Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo



Genebra - O governo brasileiro protestou nesta segunda-feira, 5, na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os planos do governo de Donald Trump de impor novas tarifas contra a importação do aço. Brasília pediu que a Casa Branca repense sua decisão. Na semana passada, Trump indicou que iria elevar a tarifa de importação de aço e alumínio em 10% e 25%. O anúncio levou vários governos a alertar sobre uma eventual retaliação.
Falando durante uma das principais reuniões da OMC, representantes do Itamaraty insistiram que o sistema "não vive tempos normais" e que a entidade "enfrenta sérios desafios, mesmo existenciais". Sem citar nominalmente os EUA, o governo brasileiro deixou claro sua frustração. "No centro da ameaça está o protecionismo", disse. "O recente anúncio unilateral, por um importante membro, leva essa ameaça a um novo patamar", disse.
"Temos profundas preocupações sobre as implicações sistêmicas, o que poderia levar a sérias consequências que não seriam de interesse de ninguém", afirmou um representante do Brasil, numa alusão a uma guerra comercial. "Pedimos a esse membro que reconsidere sua decisão", disse.
Durante o encontro da OMC, Europa, Japão e outras delegações também criticaram as medidas americanas.

SÃO PAULO
Centrais sindicais e sindicatos de metalúrgicos também protestaram nesta segunda-feira, 5, em frente ao Consulado dos Estados Unidos na capital paulista, contra a decisão do governo norte-americano de elevar as tarifas de importação. O ato aconteceu no final do período da manhã e contou com a presença da CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CSB e Conlutas, bem como o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, de São José dos Campos e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos.
Além do carro de som, os manifestantes levaram uma bandeira mostrando o presidente dos EUA, Donald Trump, fantasiado de conde Drácula.
Segundo Miguel Torres, presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos, o objetivo do ato é começar a chamar a atenção da opinião pública para essa "tijolada" anunciada pelo governo norte-americano.
"A cadeia do setor de aço e alumínio tem cerca de um milhão de trabalhadores, e o principal comprador (externo) são os EUA. Então, na pior das hipóteses, essa medida poderia resultar em cerca de 300 mil, 350 mil demissões", afirmou Torres, que participou da manifestação desta segunda. Segundo o dirigente, as centrais tentam agora uma audiência com o Itamaraty para agilizar a interlocução com o governo. (Com Marcelo Osakabe/Agência Estado)

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