São Paulo - Brasil propôs em comunicado final da reunião do G-20 financeiro, que acabou na tarde de ontem em São Paulo, que seja realizada uma ampla reforma nas instituições financeiras internacionais para que elas ganhem ''maior legitimidade e representatividade''.
Segundo comunicado , ''o novo multilateralismo financeiro deve priorizar a definição de regras, recomendações e incentivos à adoção de políticas macroeconômicas que contribuam para a estabilidade e o crescimento econômico socialmente includente e sustentado a longo prazo''.
Para dar legitimidade às instituições, o país sugere que elas ''reflitam as relações sociais contemporâneas''. Segundo Mantega, o G-20 é um forte candidato a exercer a função de órgão coordenador ''desta e outras crises''. Ele defendeu que o grupo se reúna mais vezes e tenha mais participação dos chefes de Estado. ''(O G-20 deve) priorizar deliberações com resultados práticos em termos de políticas públicas'', diz o documento.
De acordo com o documento divulgado pelo Brasil, a instituição também poderia ser o Fundo Monetário Internacional (FMI), desde que passe por reformas e mais países ganhem representatividade.
O documento, que tem nove páginas, informa ainda que as medidas anunciadas até o momento já surtem efeitos ''positivos e estabilizadores de curto prazo'', mas ainda é necessário normalizar os canais de crédito e os fluxos financeiros.
A reunião realizada no fim de semana em São Paulo, com ministros de Economia e presidentes de bancos centrais das grandes economias desenvolvidas e emergentes, prepara a pauta de discussões para a cúpula do dia 15 de novembro, em Washington, quando se encontram chefes de Estado das nações do G20.
Emergentes
Na abertura da reunião, sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ''crença cega'' na auto-regulação dos mercados financeiros, o que para ele resultou na atual crise financeira global. Por isso, pediu uma maior regulação a partir de agora.
Em seu discurso, Lula defendeu o que já havia pregado o ministro Guido Mantega na véspera: mais espaço aos países emergentes.
''Precisamos aumentar a participação dos países emergentes nos mecanismos decisórios da economia mundial. Deveremos revisar o papel dos organismos existentes ou criar novos de forma a fortalecer a supervisão e a regulação dos mercados financeiros'', disse.

mockup