Brasil propõe acordo à Argentina para área têxtil
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sábado, 17 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Buenos Aires - ''Um acordo de cavalheiros''. Essa é a proposta que o presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil (ABIT), Paulo Skaf, sugeriu ao secretário de Indústria e Comércio da Argentina, Alberto Dumont, como forma de resolver a crise que está confrontando os setores empresariais dos dois lados da fronteira há vários meses.
Os empresários argentinos ''pataleam'' (esperneiam), argumentando que está ocorrendo uma ''invasão'' de produtos têxteis brasileiros, fato que estaria ''sufocando'' a indústria nacional, colocando em risco sua própria existência. O lado brasileiro argumenta que não ocorreu invasão alguma em 2003.
Skaf disse que pretende estabelecer um patamar que define como ''sensato'', que poderia ser o nível de vendas brasileiras do ano passado para o mercado argentino. ''Por enquanto é apenas um conceito que vim apresentar'', explicou o empresário. A idéia é um acordo de cavalheiros, já que não poderiam ser aplicadas leis de restrição, pois feriria o espírito do Mercosul e as regras da OMC.
No entanto, os argentinos consideram que as vendas brasileiras de 2003 são uma ''invasão'', e rejeitam a proposta.
O governo do presidente Néstor Kirchner alinha-se com os industriais e ameaça - no caso da impossibilidade de um acordo ''voluntário'' entre os empresários brasileiros e argentinos - implementar medidas unilaterais, que restrinjam a entrada dos têxteis brasileiros.
Para resolver este complexo panorama, Skaf reuniu-se hoje com o secretário Dumont. ''Percebi que o setor têxtil argentino teve uma recuperação forte. Neste ano há uma expectativa de crescimento de consumo no mercado, na Argentina, de 6% a 7%, disse o empresário brasileiro.
''A produção argentina de denim, inclusive, dobrou no ano passado, em relação a 2001. Ora, se a produção local dobrou, não podem dizer que está ocorrendo um dano por causa dos produtos brasileiros...a importação aumentou, mas não na proporção da produção. O setor argentino está trabalhando quase no total''.
Segundo os cálculos de Skaf, o consumo aumentará em 3 milhões de metros lineares de têxteis (5 milhões de metros quadrados). ''Essa margem pode ficar só para a indústria argentina, que teria que aumentar a produção em 3 milhões de metros, sem desabastecer. Eu tenho a maior boa vontade do mundo de conseguir um acordo, mas em parâmetros sensatos''.
No empresariado têxtil argentino, a posição de Skaf caiu como um balde de água fria. ''Levando em contra o que aconteceu em 2003, estamos preocupados pelo que pode ocorrer em 2004 e 2005. Infelizmente, a postura brasileira não mudou para nada. Estamos preocupados pelo que já entrou, e mais ainda pelo que pode entrar'', disseram ao Estado fontes da Fundação Pró-Tejer, a mais combativa associação de têxteis da Argentina.


