Brasil produziu 60 mil máquinas agrícolas em 2003
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A produção de máquinas agrícolas no Brasil tem registrado bom resultado mas tem espaço para crescer ainda mais. No ano passado, a produção atingiu 60.356 unidades, 16% a mais do que em 2002 e 70% a mais do que em 2000. Foi o maior número dos últimos sete anos, mas, em termos históricos, representou apenas o 9º melhor resultado. Em 1976, o Brasil produziu mais de 80 mil máquinas agrícolas, seu recorde histórico.
''Podemos chegar lá; as fabricantes do setor trabalham com dois turnos de produção e ainda podem abrir um terceiro'', afirma o diretor de relações internacionais da fabricante de máquinas Case New Holland (CNH), Pérsio Luiz Pastre, que também é vice-presidente da Anfavea. Ele espera para 2004 um crescimento de 10% no faturamento da companhia este ano, em relação aos R$ 2,7 bilhões obtidos em 2003. Para o setor como um todo, também estima crescimento de 10% em relação a 2003.
De acordo com o diretor de compras da CNH Latin América, Lúcio Flávio Bicalho, a expansão do setor foi influenciada ''dramaticamente'' pela expansão das exportações. Atualmente, segundo ele, as fabricantes de máquinas agrícolas exportam 30% de sua produção em média. Na CNH, esse número deverá chegar este ano a 50% ou 60% da produção em 2004. Bicalho lembra que houve uma mudança no perfil do consumo de veículos do setor agrícola em relação aos anos 70. ''Temos tratores mais potentes e tecnologicamente comparáveis aos do Exterior atualmente; o produtor está mais exigente e isso força a renovação do produto''.
Segundo Pastre, a CNH tem realizado investimentos de US$ 30 milhões por ano porque acredita que o mercado para máquinas agrícolas no País terá uma expansão sustentada. A empresa já iniciou a produção de colheitadeiras de cana-de-açúcar na sua fábrica de Piracicaba (SP). A multinacional norte-americana transferiu da Austrália para Piracicaba toda a sua produção desse tipo de colheitadeira no ano passado e fará do Brasil a sua plataforma de exportação desses produtos, que exigem alta tecnologia e menor escala.
Os dois executivos lamentam os gargalos logísticos do País, que dificultam tanto as exportações como as importações (cerca de 30% das peças de máquinas são importadas). ''Vejo que a falta de investimento em infra-estrutura é um dos principais problemas do Brasil que diminuir a nossa capacidade de competir com países que estão investindo nisso, como a China'', alerta Bicalho. ''Isso pode fazer com que o País perca investimentos no longo prazo''.


