A parcela do Brasil nos fluxos de investimentos estrangeiros em áreas produtivas – depois de esgotado o processo de privatização – dependerá do esforço do governo em ‘‘anunciar’’ ao mundo as condições que tornam o País atraente à entrada desses capitais. A análise foi feita ontem pelo assessor sênior do Grupo de Políticas e de Perspectivas Econômicas do Banco Mundial (Bird), Richard Newfarmer.
‘‘O Brasil terá de anunciar-se mundo afora para garantir sua participação no Investimento Estrangeiro Direto (IED)’’, afirmou Newfarmer, durante a apresentação das conclusões do relatório anual da instituição sobre o Financiamento do Desenvolvimento Mundial.
‘‘O País deve seguir as pegadas do México, que mesmo com a desaceleração da economia americana obteve melhoria na sua classificação pelas agências especializadas porque apresentou taxas mais favoráveis de retorno aos investimentos externos.’’
A receita de Newfarmer segue basicamente dois princípios. O primeiro, que a queda na atividade econômica nos EUA pode abrir oportunidades para o ingresso de capitais na América Latina, particularmente no Brasil. O outro princípio diz que as vendas de empresas estatais não constituem a única via de atração de recursos externos. Newfarmer defende que os processos de fusão e de aquisição de empresas devem se tornar a principal ‘‘porta de entrada’’ de investimentos no Brasil.
De forma geral, o economista acredita que, em longo prazo, o IED venha a acompanhar as taxas de crescimento das diferentes economias. O Brasil não deverá fugir dessa regra – apesar de, neste ano, tender a seguir rumo contrário. Conforme as estatísticas do Banco Mundial, o Brasil atraiu US$ 30,6 bilhões em investimentos diretos em 2000, quase a metade de um total de US$ 76 bilhões em IED no mundo. Para este ano, o Banco Mundial prevê aumento nesses fluxos, por conta de ‘‘investimentos em novas áreas’’. Mas não especifica cifras nem setores. A equipe econômica, entretanto, estima a entrada de apenas US$ 22 bilhões em 2001.

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