Agência Folha
Do Rio de Janeiro
O economista norte-americano Albert Fishlow disse que, para continuar inserido num mundo globalizado e garantir um crescimento contínuo, o Brasil precisa manter baixa sua inflação. Em palestra para empresários, ontem, na Abras’99, a maior feira do ramo de supermercados, no Rio, Fishlow disse que todos os países da América Latina já perceberam a necessidade de se controlar a inflação. ‘‘A realidade é que a inflação mundial está em torno de 1% a 2% por ano’’.
Fishlow foi professor do ministro Pedro Malan (Fazenda) na Universidade da Califórnia e do presidente do BNDES, Andrea Calabi. Ele não acredita na tese de que um pequeno aumento na inflação permitiria ao País crescer mais. ‘‘Não funciona assim. Na década de 80 custou uma inflação de 4.000%’’, disse. ‘‘As pessoas não estão entendendo o grande processo por que passou o Brasil nos últimos cinco anos. É outro país’’.
Para Fishlow, o superávit fiscal conseguido pelo Brasil está sendo subestimado pela maioria das pessoas, porque é esse ‘‘superávit que vai permitir o crescimento da poupança interna, criando investimentos maiores no futuro’’. O problema, reconhece, são as taxas de juro ainda elevadas. Na sua opinião, há espaço para as taxas caírem mais, porque o País já está recuperando sua credibilidade junto aos investidores. Por conta da volta da credibilidade e da esperada recuperação das exportações, Fishlow projeta uma taxa de câmbio para o dólar em torno de R$ 1,70 até o final do ano. ‘‘Um crescimento de 8% para as exportações este ano já seria razoável’’ , disse.
Globalização, definiu o economista, membro do Conselho sobre Relações Internacionais (um órgão não-partidário de pesquisas econômicas), é um processo sem volta que ‘‘implica a redução do número de empresas’’. ‘‘Consolidação (empresarial) é uma realidade nos Estados Unidos e vai acontecer cada vez mais no Japão e em todo lugar’’, disse, exemplificando com as fusões no ramo de supermercados no Brasil.
Um dos benefícios desse mundo mais interligado, segundo ele, é que os países prejudicados por crises econômicas nesta década, como o México e os do sudeste asiático, não têm levado mais de dois anos para retomar o crescimento. Nos anos 80, disse, ‘‘era preciso esperar outra década’’.

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