Brasil precisa estratégia para negociar na OMC
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quinta-feira, 22 de novembro de 2001
Vladimir Goitia<br>Agência Estado 
A primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, disse ontem, em São Paulo, que o Grupo de Cairns, que congrega os maiores e mais competitivos produtores agrícolas do mundo, do qual faz parte também o Brasil, precisará elaborar uma eficaz estratégia para enfrentar as negociações comercias durante a nova rodada lançada em Doha pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
A idéia seria evitar a surpresa que esses países tiveram durante a Rodada Uruguai do Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), entre 1986 e 1994, quando os Estados Unidos e a União Européia, que gastam cerca de US$ 1 bilhão por dia em subsídios à produção e à exportação agrícola, somaram forças para manter privilégios para seus agricultores.
''Concordo que não obtivemos os resultados esperados nesse período, mas gostaria de lembrar que conseguimos alguns ganhos'', disse à Agência Estado o subsecretário de Relações Exteriores e chefe para questões de Política Comercial, John Wood, que a companha a primeira-ministra neozelandesa em visita ao Brasil. De acordo com Wood, desde o período em que começaram a ser implementadas as regras negociadas durante a Rodada Uruguai, a Nova Zelândia conseguiu ampliar de 25% para cerca de 34% o mercado mundial para seus produtos da área de laticínios. A Nova Zelândia é um dos maiores exportadores de laticínios do mundo.
No entanto, acrescentou Wood, ''desta vez queremos concluir as tarefas para igualar o tratamento entre produtos agrícolas e industrias no âmbito da OMC, razão pela qual vemos com bons olhos a eliminação gradual de todo e qualquer subsídio à agricultura''.
De acordo com a primeira-ministra, que almoçou com empresários paulistas e diretores da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, o Brasil e a Nova Zelândia vêm buscando ativamente um tratamento equitativo para suas exportações agrícolas em relação ao comércio mundial de bens industrializados.
''Se a Nova Zelândia obtivesse metade do que reivindica na área agrícola, o nosso PIB cresceria 4%'', disse ela, ao lembrar que grande parte da produção agrícola brasileira e neozelandesa sofre tarifação de até 400%. Helen Clark lembrou ainda que 1/3 do Produto Interno Bruto da Nova Zelândia provêm das exportações e 60% destas vêm do setor de agribusiness.


