O governo brasileiro poderá decidir amanhã pela suspensão da importação de produtos bovinos da Argentina para proteger o rebanho brasileiro contra focos de febre aftosa registrados nas últimas semanas em algumas províncias daquele país, como Entre Rios, Corrientes, Formosa e Buenos Aires. A decisão, que se traduzirá na suspensão das importações de animais vivos, carne com osso e material de reprodução, dependerá das informações que o diretor do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), Victor Machinea, prestará ao secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira.
Apesar de o governo brasileiro não querer antecipar a decisão, argumentando que precisa antes ouvir as explicações do seu parceiro no Mercosul, a medida é dada por técnicos da área como certa, diante das evidências do ressurgimento da doença no país vizinho. Desde junho do ano passado já estão suspensas as importações de animais vivos e material de reprodução de Corrientes, Entre Rios e Formosa, pelas autoridades sanitárias brasileiras. Agora, a restrição pode ser estendida a todo o país.
A decisão brasileira deverá ser tomada com base em relatório elaborado por técnicos brasileiros que visitaram a região produtora argentina no período de 29 de janeiro a oito deste mês. Os técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária constataram várias discrepâncias entre os dados fornecidos pelo Senasa e o que verificaram nas visitas.
A Argentina não conseguiu comprovar a inexistência de aftosa, sendo que os próprios animais sentinelas (cobaias) colocados depois da desinfecção em propriedades das províncias de Entre Rios, Corrientes e Formosa, apresentaram sintomas clínicos compatíveis com a doença, segundo apurou a missão. Luiz Carlos de Oliveira disse que a Argentina não cumpriu todos os procedimentos determinados pelo OIE para comprovar que não há o vírus da aftosa na região.
Além da constatação feita pelos técnicos brasileiros, a imprensa argentina vem noticiando com insistência o retorno da doença no País. O próprio Ministério da Agricultura já determinou a instalação de barreiras sanitárias no Rio Grande do Sul (em São Borja), para proteger o rebanho gaúcho.

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