O Brasil pode se beneficiar das restrições que a China está fazendo à soja transgênica e aumentar suas exportações para aquele país, maior importador mundial de grãos oleaginosos. A legislação chinesa fixando normas de certificação de alimentos transgênicos entra em vigor em março.
A previsão de que a medida tende a beneficiar a soja brasileira, produzida pelo sistema convencinal, é do assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, ao ser entrevistado ontem por este jornal. Diante das novas chances de mercado, que parecem aumentar para os não-transgênicos, o Brasil deve saber aproveitar essa oportunidade, segundo o técnico.
‘‘Não se trata de caminhar na contra-mão da tecnologia - esclarece Carlos Augusto - mas corresponder à expectativa do mercado. Neste momento o mercado está acenando com preferência para o produto convencional’’.
Os Estados Unidos produzem transgênicos porque além de mais baratos, a maior parte da sua produção, cerca de 80%, é destinada ao consumo interno, que não faz restrições aos alimentos geneticamente modificados. O Brasil, pelo contrário, tem sua produção voltada para a exportação e, neste caso, tem que seguir a exigência dos compradores. Carlos Augusto lembra que no ano passado o Brasil exportou entre 15 e 16 milhões de toneladas do complexo soja.
O nosso maior mercado são o Japão e União Européia que somam cerca de 70% das exportações brasileiras de soja exportada pelo Brasil. Esses países tendem a manter sua preferência por produtos não modificados.
Outros países podem seguir essa opção peferencial pelos produtos geneticamente não modificados, na opinião de Carlos Augusto. E o Brasil pode ampliar sua participação no mercado.
Alguém pode pensar: mas, se todos os países produtores optarem pelos transgênicos, Europa e Japão não terão de aceitar os transgêncios? Em termos de mercado isto não funciona bem, analisa Carlos Augusto. Além disso, temos de aproveitar as oportunidades para conquitar esses novos mercados, apostando no nosso diferencial.
Carlos Augusto reitera que a Faep não é contra o uso dos transgênicos; a Faep é pela lei de mercado. Se o consumidor quer um determinado produto vamos vender-lhe este produtos com essas características. Quem dá as cartas são os consumidores e sua preferência, na maioria dos países importadores, estão expressas na legislação vigente. A mercadoria que não segue certos padrões de qualidade e classificação pode esbarrar nessas normas. É o que está na iminência de acontecer com a soja norte-americana e seus derivados com relação à China.

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