Rio de Janeiro - O Brasil pode dobrar e até triplicar sua produção de álcool nos próximos 15 anos, porém essa expansão não é infinita e precisa ser feita de forma planejada e cuidadosa, na avaliação do professor José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário de Meio Ambiente do estado de São Paulo.
O Brasil produz cerca de 17 bilhões de litros de álcool combustível por ano. Segundo Goldemberg, essa produção reflete uma economia de cerca de 40% da gasolina que seria usada no país se o etanol não existisse.
O especialista fez as avaliações em entrevista à Rádio Nacional. Ele lembra que, além de ser um importante produto no mercado interno, o etanol tem preço competitivo. ''A indústria está toda nas mãos da iniciativa privada, e não há praticamente qualquer subsídio à produção do álcool combustível como no passado, portanto, é um produto claramente competitivo'', afirma.
Na avaliação de Goldemberg, Estados Unidos e Europa estão seguindo por um caminho que o Brasil já percorre há mais de 20 anos ao introduzir álcool na gasolina, como aditivo. A diferença é que, no caso dos EUA, o etanol é fabricado a partir do milho, e na Europa o produto é obtido da beterraba.
Quanto ao milho, Goldemberg esclarece que o rendimento dessa produção é muito inferior ao do álcool obtido da cana-de-açúcar. ''Para cada litro de álcool produzido é necessária uma quantidade mínima de combustíveis fósseis - obtidos através de pesticidas, fertilizantes -, o que resulta em um rendimento de 10 para 1. Nos EUA, essa relação é de 1/1'', esclarece.
Por essa razão, ele aposta no grande interesse do mercado externo em obter o álcool do Brasil, que já exporta cerca de 15% de sua produção. ''É possível que o programa brasileiro do etanol dobre a sua produção até o ano de 2011'', prevê. E até 2020, segundo o especialista. a produção pode triplicar.
Goldemberg avalia ainda que seria importante espalhar a tecnologia de produção do etanol da cana-de-açúcar para outros países de clima temperado e tropical como África, Índia e outros países da América Latina. ''Esses países estão produzindo açúcar da cana, mas não estão produzindo álcool'', completa. A grande ofensiva brasileira, na sua opinião, seria exportar a tecnologia de produção de etanol para esses países.

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